(Análise) Paramore - Paramore




Com data de lançamento para o dia 9 de abril, porém vazado na internet ainda na segunda metade de março, Paramore é o 4º álbum da banda comandada por Hayley Williams.
Os rumores do novo álbum começaram em 2012 com a escolha do produtor do disco (Medal Johnsen foi o nome) ele acabou vazando algumas informações sobre o que seria essa nova produção, disse que soaria muito mais anos 80 do que 2012, com mais efeito computadorizados, além de afirmar que o grupo faria algo mais profundo, mais experimental.

Depois da saída dos irmãos Zac e Josh Farro a banda contou com novos integrantes, um deles o guitarrista Jon Howard (ex-Stellar Kart) que assumiu os teclados, backing vocal e guitarra, porém não participou das gravações do novo álbum, além do baterista Ilan Rubin ( ex-NineInchNails, Angels&Airwaves e Lostprophets) que foi anunciado no twitter oficial da banda. Todos esses acréscimos já iam desenhando o que seria “PARAMORE” depois de 4 anos sem nenhum material novo.
Se aproximando do lançamento, a banda disponibilizou prévias e depois o álbum completo em stream no próprio site.

A primeira faixa, Fast In My Car começa com muitos efeitos de teclado, sintetizadores e uma linha de baterias bem trabalhada com um ritmo dançante, com o andamento da música são adicionadas mais guitarras e efeitos de baixo. Foi uma das faixas que evidenciou bem a proposta do produtor Medal Johnsen.

Now, que foi o single da nova fase também incorpora a nova proposta, segue uma linha forte de vocais que já se viam nos outros trabalhos da banda, porém com mais efeitos, inclusive uma pegada bem forte de guitarra nos refrões, riffs de baixo por toda a músicae ritmos mais trabalhados no decorrer. Agradou muitos fãs com um grande clipe e parte da letra foi o slogan da banda para o álbum: "If there is a future, we want it Now".

Grow Up, mais um arranjo carregado com o excelente baixo de Jeremy Davis e guitarras incríveis, tudo sob muitos teclados, de pads tradicionais a riffs de sinths, é uma das baladas pop do álbum, mais calma e com algumas modulações de voz.  Alguns momentos de instrumental chegam a lembrar a banda francesa Phoenix.

Day Dreaming, mesmo seguindo com muitos efeitos lembra o antigo Paramore, linhas de batera que lembram 30 Seconds To Mars em Kings and Queens, se tornou quase um hino dos fãs, recebeu muitos elogios nas redes sociais. É responsável por encerrar a primeira parte do álbum que é dividido por 4 interlúdios. Próxima faixa é Moving On, ukelele e acústica, lembra Jason Marz, um bumbo e um ukelele ao som voz de Hayley.

Ain’t It Fun, o peso da canção dado quase todo pelo baixo e com teclados que remetem totalmente aos clássicos dos anos 80, órgãos e sinths, ritmo dance e nada muito rock, sem muita guitarra, apenas modulações mais agudas para dar base e alguns riffs característicos do estilo, sem contar os efeitos eletrônicos distribuídos pela música toda. Do meio para o fim da faixa, um coral de vozes canta com Hayley e dá um grande “Up” na canção, seguidas pelos vocais, palmas criam um clima de culto de domingo na canção que sofre uma progressão comandada pela bateria e encerra com o vocal de Hayley cantando sob a base de vocais do coral, porém aí a canção termina com um fade-out (a música tem seu volume diminuído até desaparecer por completo),o que deixa o ouvinte meio perdido.

Part II, tendência das bandas intitularem canções por partes, mas é com certeza uma espécie de continuação de Let The Flames Begin ou até uma parte II dela, percebe-se isso tanto na letra como no instrumental, quem assistiu a apresentação da banda no festival SXSW pode ver um pouco do som da música na própria Let The Flames Begin seguida de Oh Father que teve um final semelhante ao final de Part II na versão do álbum. Ao vivo deve ser quase um clima de worship que se ouve em álbuns de bandas cristãs contemporâneas, quem não conhece o estilo e ouvir bandas do seguimento vai perceber as semelhanças.

Last Hope é uma espécie de hino, uma progressão instrumental de guitarra e baixo guiada pela voz de Hayley e sustentada em rufos de caixa na bateria, que ao crescer e explodir segue com um ritmo dance cadenciado e riffs de guitarra, além de: “aaaahs” e “uuuuuhs” no vocal.

Still Into You foi apresentada no festival SXSW (que foi uma das primeiras apresentações após a gravação do novo álbum) soa como uma declaração apaixonada, no estilo de letra de The Only Exception, porém com um ritmo muito pop e computadorizado, alguns momentos lembram sons de brinquedos e um vocal com tom divertido. A canção é seguida mais uma vez de muitos sinths, que servem de base e em um momento de pré-refrão criam um loop de entrada para o refrão, outro ponto marcante na música é o riff da guitarra e a parada instrumental que testa a voz da vocalista em uma subida que, executada ao vivo, arrancou muitos gritos da plateia, sem contar o final que termina inesperadamente e muito bem.

Anklebiters começa com microfonia de guitarras e um ritmo hardcore na bateria que recebe um som de lira e uma guitarra pesada, é uma canção rápida e com muitos vocais, sem contar uns ataques de back vocal, guitarra, bateria e teclado que acompanham a voz principal, o estilo de teclado usado na música compara a Owl City, mas com o andar ela vai ficando mais densa e termina com palmas e conversas.

Holiday, mais um interlúdio acústico com baixo e ukelele que antecede Proof. Proof começa com um riff de guitarra bem pesado acompanhado de uma bateria muito bem trabalhada com tons, surdo e caixa, guitarras pesadas e tem seu refrão mais pop e dance, dessa vez sem muito uso de teclados, prioridade para guitarra, baixo e bateria que compõem um arranjo mais orgânico do álbum, com riff de baixo no final da canção e apenas um pouco de efeito na voz e baixo.

Hate To See Your Break Heart, mais uma balada calma do disco com uma letra intimista e mais acústica, alguns cellos e violinos dão um peso maior ao arranjo. Sem dúvida uma das grandes letras do álbum, ela serve de combustível para uma progressão instrumental mais no final sustentada pelos cellos e ataques suaves de violino que ao chegar ao fim voltam ao ritmo inicial e solos de guitarra quase acústico, porém quem rouba a cena ainda são os violinos. Um arranjo acústico, simples e tão bem executado que chamou atenção.
(One Of Those) Crazy Girls no início lembra um pouco um som havaiano/californiano que recebe mais teclados, bateria e vocais no estilo dos rocks mais antigos. Nesse andamento a música muda quase que completamente e acaba dividida em basicamente 3 partes, uma delas calma, outra mais dançante guiada por um ritmo de caixa na bateria e uma mais trabalhada com tons, percurssão e o solo de guitarra. O som termina com o ritmo que começa, cheio de “aaah’s” por Hayley.

I’m Not Angry Anymore, o interlúdio responsável por finalizar a obra, nada muda em relação ao outros, mas acompanhada dela vem Be Alone, uma faixa pesada que lembra muito o Paramore de “Ignorance”, mas com menos peso de guitarras e mais teclados.

Future, a última do álbum, começa com um microfone externo com conversas e um violão, parece uma faixa gravada interrupta com todos da banda juntos, tem uma letra forte que deixa clara a visão da banda para todo esse projeto, teclado, riffs de guitarra e estalos de dedo, modulações de voz e instrumentos que fazem o ouvinte viajar, então depois de 3min de faixa entra um instrumental pesado e denso que ainda remete a Oh Father, parece até o mesmo, solo agressivo ao estilo Decode e bateria pesada e pausada que formam um ritmo ainda mais forte, um música divida em duas partes e quase um interlúdio de encerramento, algo que termina o álbum mas mostra que algo novo está começando, que PARAMORE não termina ali, mas sim começa, ela é uma faixa que faz o público parar e sentir o que o álbum representa, o novo álbum não seria nada sem essa pausa que faz a pessoa olhar para tudo que acabou de ouvir e ver isso tudo com outros olhos.
Mesmo com uma faixa de encerramento ótima a própria canção termina com um efeito de fade-out que se vê em outras faixas do álbum, algo que tira um pouco do brilho da composição.

Paramore é um grande álbum, mas a fase mais pop/eletrônica ainda incomoda muitas fãs, muito do peso que se ouviu em Brand New Eyes e até em Riot! e no DVD The Final Riot! não se fez presente no novo projeto, a banda priorizou os arranjos e criou instrumentais bem complexos, trabalhados e modulados, o que mostra uma grande evolução musical e técnica dos integrantes, sem contar a voz de Hayley Williams que foi testada e abusada em muitas das canções, cada música conta com no mínimo 3 vocais dela mesma, vai ser um desafio trazer toda essa produção para os palcos, mesmo com a nova turnê, não acredito que o show contará com muitas faixas ou a maioria delas do novo disco, exemplo foi Now ao vivo que perdeu muito se comparada a versão do cd, vocais gravados como trilha e muitos efeitos também utilizados em loops. Uma das novas que se saiu bem foi Still Into You, o que provavelmente veremos serão faixas com mais cara de Paramore mescladas a essas mesmas já executadas ao vivo, quem sabe alguma surpresas.

O Paramore produziu um disco maduro e bem trabalhado, com algumas falhas e talvez errou em ter fragmentado tanto com 4 interlúdios, mas soube dividir bem as músicas entre eles, como se fossem 4 álbuns diferentes, com músicas rápidas, calmas e uma dançante em cada uma das partes. Um momento de transição que ainda não foi bem definido, mas que já mostra a cara nova da banda e do som que o Paramore fará daqui para frente.




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