(Experimente) The Sorry Shop

Rio Grande, Brasil
The Sorry Shop é a banda de hoje no "Experimente". Um projeto de Régis Garcia juntamente com um grupo de amigos que resolveram unir forçar para dar vida a suas ideias musicais. O resultado disso são 1 EP e 2 álbuns de estúdio.



O último álbum da banda foi lançado no dia 2 de Maio intitulado "Mnemonic Syncretism". Uma viagem musical e emocional com muito fuzz e reverb que guiam o ouvinte a algo maior, tornando-se uma obra grandiosa, não só pela qualidade da execução, mas também pela propriedade que a banda traz. São 10 faixas que impressionam pela ousadia de caminhar entre diferentes estilos sem perder as suas características. Músicas como "Sulfur", que criam uma atmosfera densa guiada por uma parede de guitarras que definem o shoegaze, até faixas como "Rooftops of any town" que se assemelham a estilos como dreampop. O álbum é essencial não apenas para os fãs do estilo, mas também para quem gosta de boa música, além do mais incrível, tudo isso feito aqui no Sul.

Uma viagem musical e emocional com muito fuzz e reverb

Para falar um pouco mais sobre a banda, suas influências e também sobre a cena independente do Rio Grande do Sul conversamos com o baixista, compositor e também idealizador do projeto, Régis Garcia.

New Yeah - Quem faz a The Sorry Shop?
Régis Garcia - Além dos amigos e conhecidos que sempre dão suporte, a The Sorry Shop é uma empreitada de seis sujeitos: o Marcos Alaniz, a Mônica Reguffe, o Eduardo Custódio, o Kelvin Tomaz, o Rafael Rechia e eu, o Régis Garcia. Nos fazemos todo serviço junto, exceto a parte de gravação e composição. Eu sou egoísta e acabo fazendo tudo sozinho.

- Como tudo começou?
Em 2011 eu resolvi reativar umas memórias auditivas e botar a coisa em disquinho. Inicialmente era pra ser um lance instrumental. As primeiras músicas, que foram pro EP "Thank You Come Again", lançado em 2011 mesmo, foram feitas em pouquíssimo takes, tem coisa que foi feita em um take mesmo, tudo como brincadeira, como maneira de aliviar o estresse, em casa. Ficou legal e, como eu tinha alguma coisa escrita, resolvi convidar o Marcos, que já tinha contato musical comigo. Escolhi fazer algo com ele por ele ser um cara com um ótimo gosto musical, uma voz como eu imaginei pras músicas e por ter uma porção de referências de bandas que fechavam com o que eu tinha imaginado pra The Sorry Shop. Daí pra frente, como começaram a aparecer propostas legais pra tocar por aí, convoquei outros caras com ótimas ideias e referências pra fazer a coisa ao vivo. E acredite, aqui onde residimos, não foi uma tarefa fácil. Dei muita sorte em conhecer um pessoal com a cabeça aberta, competência e paixão pra fazer isso comigo.

- O som indie 90’s da banda formado muitas vezes por uma parede de guitarras e muito fuzz leva a perceber influências sonoras de bandas como Pavement e My Bloody Valentine. Quais são as bandas que mais fogem desse estilo que servem ou serviram de influência para a The Sorry Shop?
A influência direta é essa de bandas independentes (ou, por vezes, nem tanto) mesmo: Pavement, MBV, Built to Spill, Jesus and Mary Chain, Yuck e por aí vai. Mas sempre tem alguma influência secundária, que nem sempre fica muito visível. Nesse caso, eu consigo imaginar alguma coisa latente da minha formação musical como, por exemplo, Black Sabbath, Led Zeppelin, Pink Floyd e mais coisa do rock clássico e até, se bobear, um Tears for Fears e Live. É possível que apareça alguma coisa do rock gaúcho (como Vídeo Hits, por exemplo) também.

- Sobre o novo trabalho, quais são as principais diferenças entre "Mnemonic Syncretism” e seu antecessor "Bloody, Fuzzy, Cozy"?
O "Bloody, Fuzzy, Cozy" foi, de certa maneira, mais experimental. Eu estava tateando um pouco mais o terreno ainda novo no qual a The Sorry Shop começava a se aventurar. Foi tudo feito com um pouco de medo e timidez. Várias vezes pensei muito antes de fazer algo que não fosse absolutamente convencional. O resultado é um disco, quem sabe, inocente e atrapalhado. Além disso, como muita gente apontou, ele ficou um pouco longo. O "Mnemonic Syncretism" é mais direto, enxuto, um pouco menos otimista e, na minha opinião, bem mais organizado. Fiz ele todo com muito mais segurança e já imaginando um produto final, apesar de não fazer algo necessariamente meticuloso, tampouco premeditado de maneira matemática. É um disco cheio de erros, falhas e tudo mais, como o anterior. Ele foi feito com o mesmo tesão e com o mesmo sentimento aprendizado e aventura, mas sem muito medo ou timidez. Tecnicamente os dois são a mesma coisa: feitos da maneira que deu pra fazer, em casa por completo e no meu tempo.

- Como foi essa decisão de disponibilizar os álbuns da banda para download e stream gratuitamente ao invés de usar algum serviço pago?
Em um dos poucos shows que fizemos na divulgação do "Bloody, Fuzzy, Cozy" conhecemos, em São Paulo, o mestre Renato Malizia. Lembro que numa daquelas conversas de fim de noite, no pós show, conversávamos sobre a valorização do trabalho de uma empreitada como a da The Sorry Shop. A conversa foi super instigante e me fez pensar muito sobre a possibilidade de botar um preço na coisa. Não é fácil ser uma banda independente e tocar por aí, é tudo caro, o Brasil parece inacessível pelo preço do transporte, quem dirá o exterior. Mesmo assim, o que realmente me leva a insistir na disponibilização do material sempre na íntegra pra download e streaming de graça é o fato de que eu gosto muito de conhecer coisa nova por aí, fico feliz quando consigo baixar de graça, viro fã e, mesmo assim, não deixo de adquirir o disco ou seja o que for se realmente me interessar. O Renato tem razão, a valorização do trabalho é mais que necessária, é indispensável para que a banda possa existir por mais um tempo, mas ainda levo fé no interesse de quem gosta da coisa. O disco existe em formato físico e está disponível para venda. Quem acredita no nosso trabalho pode colaborar com a banda comprando esse disco físico e indo aos shows e dando suporte pra gente. Queremos ser ouvidos, isso é o mais importante.

- A banda possui 3 álbuns e 2 clipes, como é fazer tudo isso de forma independente?
Duríssimo, mas muito divertido. A parte dos discos só é trabalhosa. O custo é quase zero e consigo fazer a maior parte das coisas (ou tudo) envolvido no processo completo da confecção do disco sem incomodar muita gente. Os clipes é que sempre são complicados. Sempre me sinto mal por convidar os amigos pra fazer a coisa junto com a gente sem poder oferecer muito em troca. Até agora foi tudo muito tranquilo. A banda sempre ajuda com toda logística e os amigos mais próximos também. O Thiago Piccoli, que fez os dois clipes pra gente, é um baita colaborador e faz o que pode dentro das condições que a gente pode oferecer. Por outro lado, a parte mais interessante de fazer tudo de maneira absolutamente independente é a liberdade criativa. Podemos fazer o que bem entendermos sem nunca precisar prestar contas pra qualquer tipo de entidade. Se não fosse assim, seria bem complicado.

- Quem acompanha a banda nas redes sociais viu a notícia que o trabalho da The Sorry Shop saiu em alguns blogs fora do país, como foi ter essa surpresa?
É sempre uma surpresa. Com o "Bloody, Fuzzy, Cozy", tudo que saiu no exterior foi um grande choque. Na verdade ter saído em qualquer lugar foi um choque. É legal perceber que lugares com pouca permeabilidade, como a Europa, que tem uma grande tradição com o tipo de som com o qual trabalhamos, e a América do Norte, que tem baixa permeabilidade pra quase todo tipo de som de fora (principalmente por ter um grande contingente de artistas e bandas muito populares e preparados pra encarar o mercado), abriram portas pra gente. É muito gratificante também poder aparecer em sites e blogs do Japão, Ásia de maneira geral e América Latina, pois são grandes consumidores do tipo de música que fazemos. No "Mnemonic Syncretism" a surpresa já foi menor quando apareceu em alguns lugares, mas a coisa vai ficando cada vez mais legal e isso nunca deixa de ser muito satisfatório e surpreendente.

- Quais são os plano da banda para o futuro?
Continuar produzindo em um bom ritmo e tocar, tocar muito pelo Brasil. Uma turnê pelo exterior está nos planos. Esperamos que seja possível em um prazo curto.

- Existe o melhor álbum da história? Se sim, qual seria?
Pergunta malvada. É difícil dizer que existe um melhor álbum. Hoje, sem dúvida, é o Loveless. do MBV. É o tipo de disco que dá pra escutar uma centena de vezes e, ainda assim, achar detalhes lindos a cada ouvida.

- Deixem um recado para os leitores do New Yeah.
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