Julgando pela capa: The Freewheelin' Bob Dylan

Nova York, EUA
Se você tem algum interesse por música ou cultura pop, com certeza já se deparou com o trabalho de um cara chamado Don Hunsten. O fotógrafo que baseia sua obra na cidade de Nova York já ilustrou mais de 200 capas de disco e trabalhou para caras como Billie Holiday e Miles Davis. Mesmo acostumado a trabalhar com grandes estrelas, foi produzindo a capa de um novato que Don Husten clicou a sua foto mais famosa.



Em 1963, Bob Dylan estava longe de ser uma lenda do rock e ainda tinha muito o que provar. O seu disco de estreia havia sido um fracasso comercial e a falta de paciência dos executivos da Columbia exigia mudanças drásticas na segunda tentativa do artista.

Primeiro disco de Bob Dylan, de 1962 1962: a frieza da capa e das canções teria espantado o público na estréia de Bob Dylan.
Por isso, antes de iniciar as gravações do segundo álbum, o jovem cantor tomou algumas medidas. Primeiro, deixou de imitar o seu ídolo, Woody Guthrie. Depois, deu asas a sua personalidade, confiou mais no próprio taco e compôs músicas bem mais pretenciosas do que aquelas que lançara no ano anterior.

Se a personalidade do poeta Dylan estava vindo à tona, a capa do disco precisava representar isso. Certo? Então o experiente fotógrafo Don Hunsten decidiu que a capa de The Freewheelin' Bob Dylan deveria mostrar o cantor como um cidadão americano comum. Dessa forma, o público se sentiria mais próximo do músico, o que evitaria a repetição do fracasso comercial ocorrido no disco de estreia. E, para o fotógrafo, a melhor forma de demonstrar simplicidade era através de uma foto espontânea.

Em 1963, Dylan estava iniciando o seu relacionamento com a jovem Suzy Ratolo, com quem iria permanecer por um bom tempo. O fotógrafo sugeriu então que o casal desse umas voltas pela região de 161 West Fourth Street, perto de onde moravam, no centro de Manhattan. Em um desses passeios, mais especificamente em uma manhã fria de fevereiro, Don Husten tirou a foto mais famosa de sua carreira.

De braços dados e sorrindo de forma discreta, o casal parecia estar em um mundo a parte, ignorando o provável barulho da manhã típica de Nova York e fazendo pouco caso da multidão de automóveis que inclusive aparecem na fotografia.

O conteúdo do disco era áspero, trazendo sem muitos rodeios temas como a guerra, o racismo e o temor nuclear. A sua capa, no entanto, era meiga e retratava a paz de espírito do jovem artista. De certa forma, esse pêndulo entre a revolta e a doçura dominaria toda a obra de Bob Dylan a partir dalí.

Ele nunca mais voltou a imitar ninguém e nem a se disfarçar de retirante na capa de seus álbuns. Em outras palavras, o Dylan que o mundo conhece nasceu nessa foto de 1963.

O que você achou disso?

Leia também:

Jim Morrison, morreu mesmo?

Histórias mal contadas, boatos estranhos surgidos com o tempo e possíveis reaparições após a morte até hoje criam muitas teorias em torno da morte do líder do The Doors. Continue lendo

Copyright © 2013 New Yeah Música, todos os direitos reservados.