Experimente: o classic rock da République Du Salém

São Paulo, Brasil
A République Du Salém é um grupo clássico produzindo um som moderno. O que poderia parecer uma contradição na verdade resulta em uma mistura bem encaixada expressa de forma certeira no disco lançado pelo grupo ainda em 2013. Para falar sobre o disco, sobre a banda e sobre as silhuetas sonoras criadas pelo grupo paulista, convocamos o nosso mais novo colaborador, Jean Peixoto, jornalista e conhecedor das artimanhas da música. Daqui pra baixo, é com ele.


Combinações coerentes, vocais precisos e produção de primeira linha marcam o disco do início ao fim, numa prova de competência da banda e de sua equipe técnica.


Os paulistanos da République Du Salém lançaram em abril seu álbum de estreia, intitulado O Fim da Linha Não é o Bastante. Formada em 2010 por Guido Lopes (guitarra, violão, piano) e Davi Stracci (vocais), a banda hoje conta com Marcio Albano no baixo e Raul Lino na bateria. Apresentando uma sonoridade com base no rock clássico, porém com uma roupagem moderna, o som do grupo é permeado pela sua veia southern e folk. A produção do álbum ficou a cargo de Adriano Daga (premiado pelo Grammy 2005) e Brendan Duffey (Angra, Andre Mattos, Billy Sheehan, entre outros). O LP foi gravado no Norcal Studios, em São Paulo.

Já nos primeiros segundos de "Cidadão Kane", faixa de abertura, podemos identificar os acordes vigorosos que nos remetem à sonoridade setentista de bandas como Lynyrd Skynyrd e Deep Purple, presentes ao longo de todo o álbum. "Esperar sem agir, confrontar sem lutar, escolher sugerir, não acreditar". Com esse refrão marcante, a banda segue na faixa de número dois, "Corpo Achado, Bala Perdida", onde a guitarra southern rock de Guido Lopes volta a dialogar harmoniosamente com o afinadíssimo vocal de Davi Stracci.

RÉPUBLIQUE DU SALEM - referências clássicas e roupagem moderna em um sólido disco de estreia.


Na terceira faixa, temos uma baladinha estratégica para acalmar os ânimos. "Apenas uma Canção de Amor", ao contrário do que o nome possa sugerir, trata-se de uma belíssima composição da banda, que conta ainda com a ilustre participação da cantora americana de gospel/bluegrass, Rachael Billman.

Com acentuadas linhas de baixo, "Sem Hora Pra Voltar", apresenta uma sonoridade diferenciada. Recomendada tanto aos fãs dos Stones de Tatoo You (1981) quanto aos fãs do ZZ Top em seu antológico Eliminator (1983). A despretensiosa e cadenciada faixa traz em sua letra um sutil recorte da boemia paulistana.

Em um novo momento de introspecção, "Os Homens" destaca-se pela sua primorosa introdução ao piano e pelo eficiente solo de guitarra, no qual Lopes apresenta toda a sua habilidade com as seis cordas.

A última e derradeira faixa do álbum, "Expresso 212", sintetiza vertiginosamente todo o conceito proposto pela banda. Com uma letra positivista e um ritmo moderno, porém calcado na veia clássica, o grupo encerra o seu debut deixando um gostinho de quero mais no ouvinte. Vale cada segundo.

O que você achou disso?

Leia também:

Jim Morrison, morreu mesmo?

Histórias mal contadas, boatos estranhos surgidos com o tempo e possíveis reaparições após a morte até hoje criam muitas teorias em torno da morte do líder do The Doors. Continue lendo

Copyright © 2013 New Yeah Música, todos os direitos reservados.