O 20 de setembro, as manias do gaúcho e as guitarras nos pampas

Porto Alegre, Brasil
O 20 de setembro marca o principal feriado do Rio Grande do Sul. Acima até mesmo da independência brasileira, a data comemorada como o início da Revolução Farroupilha é um marco fundamental na cultura do estado. O gaúcho, de uma forma geral, gosta de ser diferente. É assim na história, é assim nos costumes e é assim na música. Não por acaso, o rock gaúcho é uma coisa que pouca gente conseguiu teorizar ao longo dos anos. Qualquer tentativa de explicar o rock produzido nos pampas nunca estará totalmente correta, até porque nem o rock e nem o Rio Grande do Sul vieram ao mundo pra se explicar a alguém.



Alguns gaúchos não conhecem o Roberto Carlos. Tudo bem, normal. Mas daí não conhecer o Teixeirinha já é vandalismo.


O rock gaúcho não é um estilo, é uma filosofia. Existem bandas de rock gaúcho muito próximas do punk rock, da mesma forma como existem bandas de rock gaúcho muito próximas da MPB. Chamamos de rock gaúcho tudo que possuir alguma irreverência e for produzido ao sul do Rio Uruguai. Nessa região onde a música caminha por curvas sem muita lógica, um artista chamado Teixeirinha vendeu mais discos do que o Roberto Carlos. Isso porque o Rio Grande do Sul gosta da ideia de cultivar coisas que o restante do país não tem muita noção do que significa. Às vezes por orgulho do passado, às vezes por bairrismo e às vezes só por birra mesmo. É assim com o Teixirinha, e é assim com o 20 de setembro, esquecido pelo restante do país e transformado no principal feriado estadual.

Geograficamente distante dos demais estados da Federação e orgulhoso demais para se inspirar no rock dos países vizinhos, o rock gaúcho inúmeras vezes buscou suas bases na música tradicionalista do estado. Nos anos 80, por exemplo, o Gaúcho da Fronteira foi regravado pelos Engenheiros do Hawaii e expressões como "chirua", "caudilho" e "guaiaca" frequentaram as FMs pops do Rio Grande do Sul. Nas décadas seguintes, o acordeon apareceu ao lado das guitarras em músicas de gente como Nenhum de Nós, Cidadão Quem e Nei Van Sória.



Todo roqueiro gaúcho conhece os Beatles. Mas todo roqueiro gaúcho conhece também a música tradicionalista e a coloca muitas vezes acima do grupo inglês na sua lista de maiores influências. Em toda música do rock gaúcho, sempre cabe um acordeon, não porque combina, mas porque é sempre válido manter as raízes vivas de alguma forma.

Da mesma maneira, toda música tradicionalista pode ser tocada por uma banda de rock. Não que o tradicionalismo seja uma especialidade da gurizada, mas porque faz parte da cultura gaúcha se arriscar tentando dar continuidade àquilo que a geração anterior fez de mais bonito.



Nesse dia de 20 de setembro, enquanto boa parte dos gaúchos esquece um pouco a globalização para saudar o que há de mais tradicional na sua cultura, o New Yeah faz uma pequena homenagem ao seu estado natal relembrando alguns dos principais nomes que nos ensinaram a gostar de rock na terra que já foi habitada pelos farroupilhas. No Rio Grande do Sul, o rock sempre será popular. Sempre será olhado com carinho pelos seus súditos mais assíduos e, mesmo não seguindo de modelo a toda terra, será sempre um elemento a mais na construção do folclore que tanto nos orgulha.

Bom apetite.

RS New Yeah by Carlos Viegas on Grooveshark

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