Experimente: as viagens sonoras dos Fantomaticos

Porto Alegre, Brasil
Alimentar a imaginação é uma boa dica pra se treinar a criatividade. Alguns especialistas recomendam que isso seja feito através da leitura de livros, imaginando rostos e cenários para cada página. Outros especialistas dizem que a música é mais eficiente nesse exercício. Pode ser que seja. Quem preferir a segunda opção pode encontrar na música dos Fantomaticos uma excelente trilha sonora. Construído a base de influências do rock gaúcho e da fase psicodélica dos Beatles, o som do grupo porto-alegrense é recheado de nuances em uma verdadeira viagem de cores, sentimentos e paisagens.

Fantomaticos
Fantomaticos - DispersãoPra quem gosta de:Beatles, Mutantes, Cachorro Grande e Supergrass.


Falar sobre o tempo é algo que desperta nostalgia e faz a mente de qualquer pessoa voar bem longe, e é justamente este o tema principal que paira sobre o álbum Dispersão, o segundo item na discografia dos Fantomaticos. Sucessor do multifacetado Fantomaticos no Bosque, o disco lançado em junho deste ano flagra a banda em um momento mais amadurecido, pronto para misturar novas influências e contar novas histórias.



O processo de gravação do novo disco começou em 2011, no home studio do grupo, através de um processo longo onde cada canção recebeu um tratamento bastante específico. De forma artesanal, a banda conseguiu criar climas que nunca seriam possíveis dentro da produção frenética de um estúdio convencional. Falar sobre o tempo exige experiência, mas também exige calma. E foi com toda a calma do mundo que os Fantomaticos conceberam o seu segundo álbum, cinco anos após o lançamento do seu disco de estreia.

Dispersão é quase uma ópera sobre a passagem do tempo e o efeito que ele tem sobre a vida das pessoas.

O novo álbum traz, de fato, uma banda praticamente reinventada em relação ao que a cena independente conheceu há cinco anos atrás. Mais à vontade no papel de porta-vozes de uma nova geração de bandas gaúchas, Augusto Stern, Fernando Efron, André Krause, Gabriel Hornos e Rodrigo Trujillo desta vez contam com a ajuda do tempo e da masterização de Brian Lucey, que já trabalhou com grupos como Arctic Monkeys e Black Keys.

Na nova viagem do grupo ao interior da mente de cada ouvinte, o quinteto leva uma mala de influências que vão dos Mutantes ao MGMT. Na mesma mala, ainda cabem uma pilha de instrumentos que são exibidos ao longo de 11 faixas inéditas. Em um universo onde até as guitarras do grupo soam de forma inovadora, há espaço para instrumentos típicos chineses e artefatos musicais históricos, como o charango, instrumento de cordas da família do ukulele, trazido até a América pelas primeiras levas da imigração espanhola.

"Somos ratos de estúdio", conta o vocalista Augusto Stern, explicando que a diversidade sonora é fruto de um longo trabalho de estudo, onde várias sonoridades são testadas até que a forma ideal de cada canção seja encontrada. "Não temos muito preconceito. Se for pra samplear, editar, recortar, programar ou regravar, a gente faz de tudo. Outra questão importante foi a sonoridade que o Rodrigo Deltoro conseguiu extrair das gravações na mixagem que fez. Ele direcionou as músicas de uma forma que talvez a gente não conseguisse fazer."

Com um disco consistente e elogiado no repertório, os Fantomaticos estão atualmente na estrada levando o seu som para todos os cantos, e convidando cada ouvinte a viajar pelas paisagens sonoras criadas pelo grupo. Como comentamos lá no início, exercitar a imaginação é um exercício interessante para a mente, e, para quem gosta de inventividade e rock'n roll, dificilmente um livro poderá ser melhor do que as 11 canções deste disco simples, profundo e fundamental. Fica a dica.



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