Lançamento de Lobão critica o coletivo Fora do Eixo

Rio de Janeiro, Brasil
Remanescente da melhor safra de roqueiros dos anos 80, o carioca João Luiz Woerdenbag Filho, o Lobão, continua fazendo jus a sua fama de personagem polêmico. Acostumado a chutar unanimidades e criticar figuras públicas nacionais sem muitos rodeios, o músico desta vez mira o produtor Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo e fundador da Mídia NINJA.



No clipe da canção “Eu não vou deixar”, lançado no início desta semana, o cantor faz pouco caso do ativismo democrático de Capilé e sua turma. Fortalecendo as suspeitas sobre a honestidade e a competência do coletivo Fora do Eixo, Lobão usou a música para transformar a sua raiva em versos claros e diretos.

"Te aviso, companheiro, não se esconda. Mané querendo mudar o mundo. Engenheiro social, tungando a grana de artista, inventando edital."
Lobão, "Eu não vou deixar"

Acusado de movimentar as elevadas verbas do coletivo de forma obscura, Pablo Capilé tem sido alvo de artistas que reclamam da falta de pagamento após as suas apresentações em eventos promovidos pelo Fora do Eixo. A lista de reclamantes envolve músicos, artistas gráficos e cineastas ligados a cena independente.

Criador da revista underground Outra Coisa e pioneiro na atividade de democratizar o entretenimento no Brasil, Lobão enxerga o coletivo como um entrave aos direitos de artistas das mais diversas áreas. "O Fora do Eixo monopolizou toda a rede de música independente", salientou o músico carioca. "Se você não reza na cartilha deles, você não existe. Isso prejudica os novos artistas. É uma situação muito grave. Meu desejo é que essa instituição seja desmantelada."

O clipe da canção "Eu não vou deixar" foi lançado na última segunda-feira e vem sendo encarado por algumas correntes artísticas como um desabafo frente as ações do coletivo liderado por Pablo Capilé. Na contramão destes, há um número igualmente relevante de artistas que se dizem confiantes nas ações do coletivo responsável por movimentar pontos de cultura em boa parte dos estados brasileiros.

Na noite da terça-feira, o vídeo oficial postado no perfil do cantor já se aproximava da marca de 40.000 visualizações.


Três décadas de inimizades cultivadas

Ferrenho e incisivo em suas opiniões, Lobão tem um longo catálogo de desafetos. Já comprou briga com Gilberto Gil, Caetano Veloso, Zezé di Camargo, grupos de rap e movimentos de metaleiros. Detonou a bossa nova e rompeu com as gravadoras no ano de 1999, em protesto ao “jabá” necessário para incluir músicas nas programações das maiores rádios do país. Brigado com o mainstream, mergulhou no underground e vendeu 100.000 cópias do seu disco A vida é doce, comercializado diretamente em bancas de revistas. 

Membro fundador da Blitz, abandonou o grupo por diferenças ideológicas antes mesmo do sucesso comercial, lançando-se em carreira solo ainda em 1982. Alienado político por opção e irreverente por natureza, Lobão é o autor de sucessos como “Me chama” (regravada por João Gilberto) e “Vida Louca Vida” (sucesso na voz de Cazuza).

Colaborou nesta notícia Bruna Szarin, representante do New Yeah na região sudeste.

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