Morrostock entrevista: Arthur de Faria e Seu Conjunto

Porto Alegre, Brasil
O Rio Grande do Sul está estrategicamente localizado em meio a um redemoinho de culturas. Cercados pela miscigenação brasileira, pela musica tradicional argentina, pelas polcas dos imigrantes europeus e pelo tradicionalismo campeiro herdado do Uruguai, os gaúchos têm um catálogo enorme de coisas para conhecer logo nos primeiros anos de vida. Absorvendo tudo isso e mais um pouco, Arthur de Faria e Seu Conjunto parecem ter encontrado a fórmula certa para produzir a música mais multicultural possível. No dia 12 de outubro, toda essa diversidade será atração na edição 2013 do Morrostock. Ansioso pelo show, o New Yeah trocou uma ideia com o Arthur de Faria, que falou sobre a trajetória do grupo e as expectativas para o show em Sapiranga.



New Yeah - O projeto Arthur de Faria e Seu Conjunto existe desde 1995, mas o seu show atrai até pessoas que sequer eram nascidas nessa época. A que você credita essa longevidade do projeto e essa popularidade dele junto a diferentes gerações?
Arthur de Faria - Meu, acho que é um muito de teimosia, um tanto de coerência e, principalmente, persistência. Mas a maior parte disso tudo não vem de mim, creia, vem dos rapazes da banda. Ano passado, inclusive, a gente ficou parado, e só voltou por insistência dos rapazes. O pessoal REALMENTE acredita no projeto, ehehehehe. Quanto a popularidade... tu tá de sacanagem, né?

"Tem muito cinema e teatro na nossa música. E um tanto de parquinho de diversões. Cada música é um brinquedo diferente."

NY - O grupo surgiu fazendo uma música pouco comercial em uma época de predomínio das grandes gravadoras. Depois, o grupo se manteve atuante ao longo dos anos, chegando a um tempo onde vigoram diversas outras formas de divulgação fonográfica. Dá pra dizer que hoje é mais fácil "ser Arthur de Faria e Seu Conjunto" do que era há 18 anos atrás?
Arthur - Tudo na vida tem dois lados. Era o predomínio das grandes, mas também das pequenas gravadoras. Nunca lançamos um disco sem gravadora, e sempre foi por gravadoras independentes, parceiras, que bancaram parte ou mesmo a totalidade dos discos. Hoje isso não existe mais, quase todas faliram. Tá muito mais difícil gravar um disco se você insistir em não ficar dependente de editais, o que eu acho uma relação bastante amadora. Tudo ficou menos profissional, o que eu não acho bom. Por outro lado, é mais fácil divulgar. Mas o momento mais fácil não é agora, nem foi há 18 anos atrás, foi no meio disso, quando ainda se comprava discos de forma significativa, as gravadoras independentes ainda estavam peleando e a internet já tinha facilitado muito o contato com o mundo.

NY - Vocês se propõem a produzir um som que esteja dividido entre a organização e a anarquia - o popular e o erudito. Encontrar essa medida certa entre pólos tão distantes exige muito esforço ou é algo natural para você e seu conjunto depois de quase duas décadas de atuação?
Arthur - Cara, é muito natural e muito o resultado das diferentes influências de cada uma das formações do grupo. Tanto que os meus outros trabalhos - como o Duo Deno, a Surdomundo Imposible Orchestra ou o show Música de Cena - tem outríssima cara. Desde o começo, a banda foi muito a soma das individualidades, ainda que o repertório seja quase todo composto por mim.

Arthur de Faria - desde 1995 à frente do grupo que melhor reflete a diversidade cultural do Rio Grande do Sul.

NY - Os membros do Conjunto têm um histórico de atuação em peças de teatro e você em especial tem uma ligação bem forte com o cinema. A música do grupo sofre influência dessas outras artes, ou esta relação de vocês com elas acontece só "de dentro para fora"?
Arthur - Acho que nesse disco mais recente, todo instrumental, isso tá mais claro que nunca: tem MUITO cinema - e teatro - na nossa música. E um tanto de parquinho de diversões. Cada música é um brinquedo diferente.



NY - O Conjunto tem uma versatilidade impressionante - cabe na programação de um clube de jazz europeu da mesma forma como cabe na lineup de um evento alternativo no interior do Rio Grande do Sul. O show muda muito de um local para outro? 
Arthur - Ah, sim! Essa é a vantagem de ter umas 60 músicas possíveis no repertório. Ainda tá bem longe do horizonte de possibilidades dos Stones, mas a gente chega lá, ehehehhee.

NY - Muita gente vai ao Morrostock sabendo quem vocês são e muita gente só vai descobrir isso quando o show começar. Mas o que a plateia pode esperar do show no próximo dia 12?
Arthur - MUITA vontade de tocar no morro. Ano passado a gente tocou no teatro, em Sapiranga, mas, pô, em teatro a gente toca o tempo todo. A gente quer é SELVAGERIA! :)

A programação do dia 12 de outubro
14:00Mostra Escuta
16:00Arthur de Faria e Seu Conjunto
17:00Dones Primata
17:45Som Invisível
18:35Matuto Moderno
19:25Fruet e Os Cozinheiros
20:20Luciano Albo
21:15Mari Martinez and The Soulmates
22:05Mustache e Os Apaches
23:05Rinoceronte
00:00Tenente Cascavel
01:00Cartolas
02:00Fukai
03:00The Sorry Shop
04:00Adam e Juliette
Ingressos e + informações: morrostock.com.br

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