Entrevista: a bela simplicidade de Jéf

Três Coroas, Brasil
Jéferson de Souza, ou simplesmente Jéf, tem 24 anos e nasceu em Três Coroas-RS. É músico, compositor, escritor, e muito querido pelos amigos. Já lançou singles como "Oi", "Pra Colar" e "Leve", sempre unindo o seu folk envolvente a letras carregadas de amor, simplicidade e admiração pela vida.


Em contato com a música desde cedo, Jéf desenvolveu um gosto particular por ela. Com um olhar poético e uma leveza na composição de suas letras, ele é capaz de transmitir sua paz de espírito e sua própria arte. Sua música é tão agradável que é capaz de transformar um dia, nos faz ter a boa sensação de parar em meio a correria para admirar a beleza que estamos deixando passar diante dos nossos olhos. É um lembrete de que a boa música não se trata apenas de produções grandiosas, mas sim de amor pelo que se faz. E transmitir esse amor é tarefa para poucos, mas ele dá conta do recado. Em abril Jéf lançará seu primeiro EP, Leve, projeto em parceria com Thiago Heinrich. 

E pra quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-lo, o New Yeah colou no cara pra mostrar pra vocês músicas novinhas de um artista da maior qualidade. 

New Yeah - Como começou sua relação com a música?
Jéf - Sempre gostei de cantar, desde pequeno. Meu primo era músico e eu gostava de ver minha mãe feliz quando ele tocava, mas nunca pensei em fazer isso da vida. Um amigo tocava violão e estava me ensinando. Aí ele me convidou pra montar uma banda quando tínhamos 13 anos. Ganhei um baixo da minha mãe e começamos a tocar juntos. Foi muito legal, e, com o passar do tempo, vi que era isso que eu queria fazer.



New Yeah - Você fazia shows com covers na sua região - muito bons, por sinal, já presenciei alguns -. De quais bandas você mais curtia fazer covers? Ainda faz nas suas apresentações?
Jéf - O público e os bares da nossa região ainda preferem bandas covers. Acho que isso vem mudando, e vai mudar mais a partir do momento em que as bandas começarem a gravar e divulgar suas músicas, pra começar a criar seu público e poder mostrar cada vez mais seu trabalho. Gostava muito de tocar Beatles, Los Hermanos... ainda não tenho como fazer um show totalmente autoral, então ainda toco algumas coisas que gosto muito.

New Yeah - E quais são as suas influências musicais mais importantes?
Jéf - Gosto muito de Beatles, Los Hermanos, Jorge Drexler, Frank Jorge e Roberto Carlos. Além do cenário atual como o Silva, Tiago Iorc e Marcelo Jeneci...

New Yeah - Você já teve uma banda (Vitrô), e vocês chegaram a fazer shows em São Paulo. Como foi essa experiência? Por que o projeto da banda não foi adiante?
Jéf - Na verdade, a Vitrô continua. Eu e o Alfredo (guitarrista) estamos tocando há 12 anos juntos. É muito tempo. Passamos por muitas coisas. Só que em uma banda nem todo mundo tem os mesmos planos, mesmos sonhos... por isso comecei esse projeto solo. A Vitrô é uma banda de amigos. Enquanto a gente gostar de tocar junto e tivermos tempo pra isso, vamos seguir.

"Hoje eu faço a música que eu gostaria de ouvir. Acho que isso torna tudo mais sincero. Com verdade no que fazemos, tudo fica mais bonito."
New Yeah - Você teve o apoio da família quando decidiu se dedicar às suas músicas?
Jéf - Sim, sempre tive muito apoio. Minha mãe me incentivou muito no começo. Tinha músicas que eu não conseguia tocar e ela dava força, mesmo estando mal. Depois que ela se foi. Foi um pouco complicado. Mas outros me abraçaram. Meu pai quando viu que eu realmente gostava me deu total apoio. Minha irmã, apoiou meu CD. Eu devo tudo a eles.

New Yeah - Como você se sentiu ao ver o retorno positivo das pessoas com o lançamento do seu primeiro single?
Jéf - Eu gravei uma música pra um curta de uns amigos. Achei legal e coloquei na internet, sem pretensão. Gravei mais duas depois. O pessoal começou a gostar, compartilhar, começou uma resposta muito legal e eu fiquei muito feliz. Tinha a questão da Vitrô, de fazer algo paralelo, mas resolvi fazer o disco e recebi muito apoio dos amigos.

New Yeah - Em abril você estará lançando seu primeiro CD, o Leve. De onde surgiu a ideia pra esse lançamento?
Jéf - Eu sempre fico tendo umas ideias meio loucas. Acho que com esse incentivo dos amigos a ideia começou a ser forte. O plano inicial era tirar as músicas da gaveta. Eu tinha muita coisa que não era tocada, pois não tinha aquele formato de "banda de rock". Como ficou forte essa ideia do disco, algumas composições foram feitas pra ele.


New Yeah - "Leve", a música título do trabalho, é daquelas que faz qualquer um querer sair sorrindo pela rua entregando flores para estranhos. Qual a história por trás desta canção?
Jéf - Ah, muito obrigado! Na verdade, uma ex-professora minha me convidou pra escrever uma peça de teatro, pro grupo dela, chamado "In Love". A peça era baseada no filme “Cartas pra Julieta”. Durante o processo, surgiu a ideia de escrever uma música. Fiz um rascunho, e não consegui terminar. Mandei para alguns amigos e nenhum respondeu. Aí falei com um cara que eu gostava muito das músicas, o Luciano Guidi, e então ele logo em seguida terminou e me mandou a canção. O resultado foi incrível. Então surgiu essa nossa parceria. Escrevemos juntos ainda "Oi" e "Com Você"). A peça acabou não saindo, e a música iria pra gaveta. Até que eu resolvi gravá-la.

New Yeah - Tem participações no CD?
Jéf - O CD foi todo gravado e produzido por mim e pelo meu amigo Thiago Heinrich. O Thiago é meu ídolo. Um cara super talentoso. Gravou quase todos os instrumentos nas músicas. Outra participação foi nas composições, 3 em parceria com o Luciano Guidi.

Jéf: do mundo cover para o universo autoral através do seu disco de estreia, previsto para abril deste ano.

New Yeah - Suas letras são sensíveis e cativantes. Esse gosto pela escrita vem desde pequeno, ou é algo que você desenvolveu quando resolveu ter um projeto solo?
Jéf - Desde pequeno eu gostava de inventar histórias, gostava de escrever. Quando começamos a banda, éramos muito novos. Eu escrevia umas três letras por dia, e entregava elas pro meu amigo. Ele jogava fora por que eram muito horríveis. Escrevia muito. Depois comecei a aprender violão e comecei a fazer minhas músicas. Acredito que com o exercício da composição você começa a ver o que soa legal e o que não soa. Gostava de escrever poemas, crônicas... publiquei um livro em 2010, chamado “Outras Lentes”, e foi bem bacana pra mim. Hoje eu faço a música que eu gostaria de ouvir. Acho que isso torna tudo mais sincero. Com verdade no que fazemos, tudo fica mais bonito.

New Yeah - Você tem muito reconhecimento entre seus amigos e todos aqueles que conhecem o seu trabalho. No momento você não se dedica integralmente à música. Tens ambição de viver só dela, ou pretende seguir com ela como um projeto paralelo?
Jéf - Meu sonho é viver disso. No momento não me dedico integralmente, mas quem sabe um dia. Não tenho pretensão de ser rico, de ter muitas coisas. Só quero fazer o que faz bem pra mim e tentar fazer o bem para os outros. Já comecei a compor e gravar o próximo trabalho. Logo depois do lançamento de Leve já quero ter um single novo pronto.

New Yeah - E pra terminar: Jéf, foi tu quem escolheu a música, ou ela que te escolheu?
Jéf - Tudo na minha vida foi acontecendo. Eu escolhi, mas acho que ela sempre esteve ali pra mim.

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