Marcão Baixada - o hip hop é o punk de hoje em dia

Rio de Janeiro, Brasil
O Brasil viveu um momento sociológico ímpar em 2013. Integrando um fenômeno que envolveu população, imprensa e poder público, muita gente saiu para a rua com a cara pintada garantindo que o gigante havia acordado. O momento teve o seu valor histórico, mas quem conheceu e se envolveu com a cultura hip hop dos anos 80 para cá deve ter achado graça na referida afirmação. Isso porque a rima viva de artistas ligados ao gênero nunca entrou em sono profundo, e sempre esteve lutando por condições mais dignas de vida, até quando isso ainda não era algo popular. Esta vocação social foi plantada por nomes como Racionais Mc's e Public Enemy, mas se mantém intacta em obras mais contemporâneas, como a do jovem rapper carioca Marcão Baixada.



De todos os cartões postais do Rio de Janeiro, talvez a Baixada Fluminense seja aquele que os governantes mais gostariam de esconder, ainda mais em tempos de alta exposição do Brasil diante das comunidades internacionais. Marcada pelo abandono político e pela marginalização midiática já há algumas décadas, a Baixada acostumou-se a lutar contra os altos índices de violência produzindo a sua própria arte, tornando-se então autossuficiente do ponto de vista cultural. Se, por um lado, a região contrasta com a beleza tropical abençoada pelo Cristo Redentor, por outro, ela apresenta níveis de diversidade que fazem jus ao verdadeiro Rio de Janeiro, expostos em uma produção cultural que reflete os anseios e os orgulhos de uma das regiões mais populosas do estado.

Entre defeitos e virtudes, a Baixada Fluminense se mantém viva pela sua produção cultural, da qual Marcão Baixada é atualmente um dos ícones mais notáveis.

O despreparo político vigente na região, a diversidade étnica e a herança cultural africana acabaram se unindo em um terreno muito fértil ao hip hop, que sempre aproveitou sabiamente estes três elementos. Marcão Baixada, como bom filho da terra que tanto o orgulha, sintetizou tudo isso em uma canção. Esta canção recentemente ganhou um videoclipe, que levou o válido discurso fluminense aos quatro cantos do Brasil. Lançado na primeira quinzena de janeiro, o vídeo de "Baixada em Cena" já acumula quase quatro mil visualizações no YouTube.

Com imagens captadas entre setembro e outubro do ano passado, o videoclipe é uma realização em parceria com a Pitanga Audiovisual, apoiada por diversos nomes ligados a cultura negra do Rio, como o Cinema de Guerrilha da Baixada, o movimento Enraizados, o coletivo Mofaia, a produtora ZB Filmes e a marca V4MO. Ainda mantendo o seu caráter aglutinador, o hip hop da Baixada Fluminense prova através de Marcão Baixada que a união faz a força, e que a força é o fator determinante para a sobrevivência da diversidade cultural.

A música enquanto entretenimento cumpre um papel muito importante na sociedade atual, e exige boas melodias, arranjos interessantes e criatividade sonora. A música enquanto objeto social de relevância, no entanto, exige contextualização, vivência e coragem. Abraçando esses três itens de forma muito particular, o hip hop carioca presente em Marcão Baixada pratica em pleno século 21 o papel que o punk rock teve na Grã-Bretanha dos anos 70. É aí que o hip hop se transforma no punk de hoje em dia, defendendo raízes multiculturais e colocando o dedo na cara de quem ousar ignorar o poder e o orgulho emanado pelas comunidades mais pobres.

Marcão Baixada é rapper, mas também é punk.



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