Por que ouvir? Lost Youth Against The Rush

Caxias do Sul, Brasil
O movimento musical independente da região sul do país nunca foi tão forte como nos últimos anos, principalmente por conta do surgimento de selos como a Honey Bomb Records e a Noia Coletiva, que passaram a produzir e lançar alguns dos principais nomes surgidos nos últimos anos. A união das duas companhias, que já deu origem a alguns notáveis lançamentos locais, reaparece agora no primeiro álbum completo da banda Catavento. Maduro e bem resolvido, o disco Lost Youth Against The Rush tem tudo para se transformar no filho preferido deste casamento promissor de selos independentes.


Lost Youth Against The Rush aparece para mostrar mais uma vez a competência de estúdio da Catavento, tal como já havia acontecido nos singles "Seesaw" e "Moments". Acontece que desta vez a competência dos meninos foi ainda mais longe e surpreendeu até os seus admiradores mais próximos. A densidade do álbum é percebida a cada faixa, em um compilado de experimentações muito bem executadas sobre as características grunge existentes nas raízes mais profundas do grupo.

O álbum é aberto por "Seesaw", música já conhecida do repertório da banda, e que mistura sonoridades distintas de grupos como Nirvana e Tame Impala. "Rasco", que vem na sequência, mostra um lado ainda mais distorcido, com drive nos vocais e um refrão gritado, lembrando em alguns momentos o Cage The Elephant e o Arctic Monkeys das antigas. O mais curioso, no entanto, não é o aparecimento de referências tão diversas, mas sim a forma como elas se perdem em meio a versatilidade da Catavento, capaz de misturar Deus e o mundo em uma única faixa e ainda conseguir manter uma boa fatia de originalidade.




"Moments" é uma das baladas do disco, e aparece como calmante anestésico após a surra das três primeiras faixas. "Metabol" restabelece os drives já ouvidos nas faixas anteriores e engana com o seu ritmo dançante, enquanto "Formiga" tem uma sonoridade aparentemente herdada de gente grande como Pink Floyd e Temples.

"Bemeorgetagirl" começa com uma explosão punk rock de dar orgulho ao Black Flag, só que com um toque a mais de psicodelia. Para não perder o embalo, "Cactus" segue a mesma receita, com um início cheio de gritos e alguns momentos de calmaria. Para encerrar ainda tem "Youth", com ritmo cadenciado, sintetizadores e pianos em mais uma balada muito bem executada.


- Lost Youth Against The Rush: guitarras, luzes e psicodelia apimentam a receita musical da Catavento, destaque na serra gaúcha e cada vez mais conhecida fora do país.

Lost Youth Against The Rush, já era um marco para a música alternativa gaúcha desde antes do seu lançamento. De tão promissor acabou sendo apadrinhado também pelos gringos da Lo-fi by Default, gravadora norte-americana responsável por lançar diversas bandas na cena independente de lá.

Ainda é só o começo, e a criatividade do grupo hoje é uma ponte sob a qual muita água ainda deverá correr. Ainda assim, é emocionante ver uma banda gaúcha se arriscar voando tão alto e já alcançando frutos tão cedo. Correr riscos sempre foi uma grande característica do rock produzido no Rio Grande do Sul, e a Catavento surge para trazer essa característica de volta. Fica a torcida para que ela ajude a retomar também o costume gaúcho de revelar excelentes nomes dentro do rock nacional. O Brasil sente falta do rock gaúcho, e a Catavento pode ser um sinal de que o rock dos pampas está voltando com tudo.

O que você achou disso?

Leia também:

Jim Morrison, morreu mesmo?

Histórias mal contadas, boatos estranhos surgidos com o tempo e possíveis reaparições após a morte até hoje criam muitas teorias em torno da morte do líder do The Doors. Continue lendo

Copyright © 2013 New Yeah Música, todos os direitos reservados.