A Anomalia Social e a cena punk anti-tédio caxiense

Caxias do Sul, Brasil
Faz parte da nossa geração reclamar da falta de opções culturais e entretenimento que algumas cidades oferecem, ainda mais quando existe uma cultura massiva que faz multiplicar casas de música sertaneja e exclui uma boa parcela de jovens que não se identificam ou simplesmente não conseguem se divertir em baladas desse tipo. E a história da banda Anomalia Social está diretamente ligada à movimentação da cena punk de Caxias do Sul. Influenciados pela cultura do DIY - Do it Yourself, esses caras acabaram criando o seu próprio ambiente.



Em 2012, para marcar a formação da Anomalia Social, os seus integrantes decidiram trazer a histórica banda Replicantes para tocar na serra gaúcha, e o final foi financeiramente desastroso. Porém, gerou muito aprendizado, dando fôlego e confiança para que eles seguissem fomentando novos rolês.
Rabiscos, rapidez e contracultura: o flyer do último evento produzido pela banda traduz a filosofia que gere o grupo desde 2012.
Além de produzir músicas e shows próprios, o grupo acabou chamando para si a responsabilidade de dar movimento à rotina de shows da região. Além de trazer os Replicantes, a banda já importou músicos da Itália e, recentemente, trouxe para os palcos da serra a banda finlandesa Lapinpolthajat (e não me peçam pra pronunciar isso).

Colei no show que a Anomalia Social organizou ao lado da banda da Finlândia, e presenciei o agito todo dos caras, que mandam bem na energia e na conexão com o público. A sonoridade tem forte influência de bandas como Black Flag, Circle Jerks e Bad Religion, e a presença de palco dos caxienses não deve em nada às bandas gringas.

Pedi que o vocalista Gregory Elia Debaco me explicasse a filosofia de autossuficiência pregada pela banda. Ele então voltou a lembrar do episódio envolvendo os Replicantes.

“A gente queria fazer, e éramos uns piás de merda. Nunca tínhamos armado nada. Daí achamos que ia dar umas 500 pessoas, e deu só 180", relembra ele, achando graça. "Tomamos um preju de R$ 1500, que foi pago com uma rifa solidária depois."

Para o vocalista, as desventuras ajudaram o grupo a amadurecer e a buscar o seu espaço.

"Toda banda tem que perder dinheiro, investir, usar a grana em si mesma... porque ninguém vai pegar ninguém pela mão e investir no cara”, filosofa o músico, que divide as responsabilidades da Anomalia com Gabriel Dutra(Guitarra), Carlo Mioranza (Guitarra), Alexandre Manfredini(Baixo) e Diogo Dall’Agno(Bateria).

A banda tem dois EPs que você pode conferir aqui. Além disso eles tocam na sexta-feira, dia 28, no Festival da Polenta Podre (Caxias do Sul), e, no dia seguinte, marcam presença no Grito Rock Campo Bom. É só colar lá e se jogar do palco pra extravasar essa energia contida pela rotina do TRABALHO que a gringaiada caxiense tanto preza.

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