Inner Giants: ilustrando com tinta, papel e distorção

Maringá, Brasil
Nos últimos anos, virou clichê entre jornalistas e críticos musicais apontar a morte do rock no Brasil. Dá pra entender porque pensam assim: em um tempo em que as maiores apostas musicais nascem em programas de jurados e mesmo os vencedores do juri não passam de um minguado disco de estréia, não tem como acreditar que o mainstream tenha de novo fôlego pra revelar um nome de peso. Foi por isso que a cena alternativa resolveu tomar conta e mudar o foco dessa história, trazendo um novo fôlego ao rock nacional. Nessa onda, o estado do Paraná viu surgir, entre araucárias, riffs e referências grunge, a Inner Giants, banda que logo se destacou como um dos suspiros do novo/legítimo/distorcido rock brasileiro, unindo música, arte e tecnologia.


A Inner Giants é um quarteto nascido em 2014 por quatro amigos moradores de Maringá/PR, que, apesar do pouco tempo de estrada,  conseguiram lançar um elogiado EP de estréia. Auto-intitulado, o trabalho foi divulgado no final de março através de uma ação criada pela banda e desenvolvida em parceria com quatro ilustradores locais.

A ideia, foi de criar cartazes de divulgação para cada faixa do disco, cada um feito por um artista diferente, expressando aquilo que cada artista havia sentido ao ouvir cada canção. Nos materiais, foram colocados QR Codes que levavam direto para o link referente a canção exposta.

Com quatro músicas que caminham entre o grunge, o stoner e o indie rock, podendo apresentar influências que vão dos últimos lançamentos do Queens of the Stone Age até o som dos brasileiros da Black Drawing Chalks e do Vespas Mandarinas, o grupo deu vida a um trabalho que foi muito além da bela sacada promocional que marcou o seu lançamento.

Arte multiplataforma


A faixa de abertura, "Wild Dance", mostra o flerte das guitarras agudas do indie rock com o peso da distorção do stoner, tudo isso retratado no desenho de Guto Stresser. Traços irregulares, abusando das linhas e texturas, personificando a verdadeira "bailarina selvagem" da Inner Giants.
















Logo em seguida, vem "Lucky", Outro registro apoiado nas referências noventistas da banda e que conta com a arte de Isaac Kassiano. Uma composição de círculos, pontos e rastros daquilo que é cantado como sorte.


 


Pra não decepcionar os fãs de lindos timbres de guitarra, a segunda parte do EP começa com os riffs pegajosos de "Weird Animals", lembrando uma versão mais pesada das levadas apresentadas pelos ingleses do Temples em seu disco de estréia. A terceira canção teve sua arte criado por Gabriela Paes, ilustrando uma visão feminina de uma das baladas pesadas do disco.



Fechando a conta, ainda tem espaço para a pérola "C'mon Incinerate", faixa mais nervosa entre as presentes no EP, unindo as já comentadas influências grunge com a rapidez do punk rock. A tarefa de ilustrar essa bagunça organizada ficou a cargo do talentoso Rodrigo Alexandre Martins, que conseguiu captar perfeitamente a atmosfera da canção através de seus traços psicodélicos.


Através dos cartazes, das composições e dos arranjos, a Inner Giants vem mostrando o seu trabalho e ganhando espaço dentro da música paranaense, que cada dia mais é merecedora da atenção nacional (também por isto, isto, isto, isto e isto). Não à toa, o show de estréia da Inner Giants foi ao lado dos cariocas da Zander, uma das mais respeitadas representantes do hardcore nacional. Esses passos iniciais garantiram um trabalho de estréia de alto nível, abusando da musicalidade e explorando as várias dimensões da arte, seja na beleza que as ilustrações provocativas trazem aos olhos, seja nas ousadas e distorcidas resoluções que o EP traz aos ouvidos.

Para continuar acompanhando a Inner Giants, você pode seguí-los na sua página oficial no Facebook ou acessar ao seu site oficial. Lá você encontra todas as informações e links para as outras redes sociais da banda. 

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