Por que ouvir? Live Bootleg, Catavento

Caxias do Sul, Brasil
No início de 2013, recém havíamos inaugurado o New Yeah quando recebemos no nosso e-mail o contato de um selo musical também recém lançado. O Honey Bomb Records desde o início se posicionava como algo além de um simples selo lançador de álbuns: a ideia era ser um coletivo de artistas que, unidos, viabilizariam discos, merchs, artes, exposições e todo o pacote cultural que a música fosse capaz de envolver. O trabalho evoluiu rápido e logo conseguiu adquirir um quartel general, carinhosamente batizado de casa Paralela. O que alimentou o crescimento de toda essa história foram, logicamente, os grandes artistas geridos pelo coletivo. Uma das bandas mais notáveis do selo desde os seus primeiros passos, a Catavento evoluiu junto: lançou um primeiro disco que conquistou ouvintes em todo o país e atingiu uma maioridade musical inquestionável, e que recentemente foi bastante explorada no explosivo e consistente Live Bootleg, o primeiro registro ao vivo do grupo e também a introdução promissora ao seu aguardado segundo álbum.


Live Bootleg é uma gravação ao vivo captada diretamente da mesa de som durante a apresentação da Catavento no festival caxiense Manifestasol. O disco contém algumas canções inéditas, covers e músicas que já integravam o disco de estréia da banda, tudo isso em versões mais reverberadas, barulhentas e chamuscadas de modulações, mixadas por Francisco Maffei, o produtor por trás do elogiado Lost Youth Against the Rush. As surpresas dos novos arranjos são o principal elemento do novo registro, e a força que cada faixa ganhou em sua nova versão ajuda a entender porque as performances ao vivo da Catavento vêm causando tanto barulho, literal e metaforicamente falando.

O disco é aberto por um cover dos australianos do POND. "Pond in a park", sob os olhos do grupo caxiense, ganha uma versão mais enérgica e acelerada em relação a original. Logo após, já nos deparamos com uma canção inédita: "City's Angels (In the Sun)", provável integrante do disco novo, surge cheia de nuances sonoras, caminhando entre ritmos dançantes de bateria e riffs de guitarra que contracenam com vocais cheios de reverb.


PAISAGENS SONORAS SOBRE O PALCO: competente em estúdio e indomável sobre o palco, a Catavento registra em Live Bootleg a sensação transmitida por suas apresentações ao vivo. 

Seguindo a sequência planejada pela Catavento, logo após a conhecida "Metabol", surge uma versão estendida de um dos singles do disco de estreia. "Fauna Sound", que também deu origem a um comentado videoclipe, agora ganha uma introdução gigantesca de quase três minutos, onde os riffs do baixo têm como papel principal organizar o devaneio instrumental da banda. Com o fim dos mais de oito minutos de som verde, o quinteto passa por um breve interlúdio/cover antes de chegar em "Seesaw", que vem acompanhada por gritos xamânicos e uma atmosfera mágica embalada pelo som aveludado da guitarra. Sem demora, eles ainda emendam "Moments", mostrando que a banda evoluiu bastante desde as gravações originais, e que o preenchimento mais encorpado de cada canção serve como prova disso.

Abrindo o quarteto final de canções, a já citada "Rasco" aparece como introdução para a inédita "Dr. Gullity", cheia de referências aos ídolos australianos. A canção nova mostra uma banda mais melódica, arriscando soluções fora da sua zona de conforto - e provando que a psicodelia se encaixa bem em todo tipo de canção. Ainda na onda das novidades, há espaço para uma vibrante faixa instrumental que transita entre momentos de calmaria e explosão, explorando percussões e teclados. Fechando o disco, a banda ainda tem tempo para executar uma versão de nove minutos da excelente "Cactus". A faixa que virou clipe através da parceria entre a Honey Bomb Records e o coletivo NOIA Fremz aparece mais enérgica do que nunca, com uma base de guitarra cheia de flanger, junto com uma bateria acelerada e um vocal que por vezes se torna quase inaudível por conta dos efeitos que o cobrem. "Nós somos a Catavento, obrigado!".



Dadas as análises técnicas e emocionais do registro, dá pra entender que "Live Bootleg", muito mais do que um lançamento da Catavento, é a coroação de um ano de ouro para a banda e para o seu selo. Com uma maturidade bastante precoce, o grupo deve se estabelecer de vez dentro do cenário nacional com o lançamento do segundo álbum de estúdio, mas os sinais e progressões presentes no atual momento já apontam que a banda tem tudo para abandonar o cartaz de embaixadora brasileira da psicodelia, passando a ser uma legítima representante da qualidade musical produzida pelo sul do país nesta primeira metade de década.

Para ouvir o álbum completo, visite o Bandcamp da Catavento.

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