Por que ouvir? Social Suicide, Panda Valmont

Rio de Janeiro, Brasil
O crescimento dos selos independentes em todo o país é o fruto mais visível que o estilo make yourself deixou na música contemporânea brasileira. Grupos de parcerias regionais ou mesmo separados por milhares de quilômetros têm se unido formar selos e coletivos com o propósito de lançar os seus próprios trabalhos, alimentando um estilo de produção que só aumenta a independência dos artistas e produtores envolvidos. Do meio de todo este movimento, vem o último lançamento da parceria entre o selo carioca Bichano Records e os pernambucanos da Transtorninho Records: o intimista EP de estréia do Panda Valmont. Social Suicide é a união das parcerias distantes com uma boa dose de sentimento.


Pra quem gosta de:Seapony, Best Coast, Summer Camp e All Girl Summer Fun Band.

Social Suicide é um compilado de cinco faixas autorais e um cover, e o amontoado de sentimentos é comandado por um carioca de 23 anos que gravou todas as faixas inteiramente em seu quarto, com vocais gravados direto no gravador de voz do seu celular e letras construídas a partir de melodias que iam se formando de acordo com o andamento do processo de finalização. Não houve cortes, edições ou tratamentos, apenas alguns ajustes em samplers de bateria.

A proposital ausência de produção deu a Panda Valmont uma estética tão esquisita quanto encantadora.
Além de contarem com toda pegada lo-fi extraída de gravações nada ortodoxas, as faixas, que a primeira vista conseguem soar com uma leveza juvenil ímpar, lembram referências como Seapony, Summer Camp e Best Coast, o que só aumenta a sensibilidade de tudo o que é dito ou deixado nas entrelinhas. No espaço aberto pelas misturas tão bem executadas, temas pesados e melancólicos conseguem vir à tona sem que o ouvinte perceba.

Segundo Panda, uma das suas referências para tornar essa melancolia mais subjetiva é o grupo de rap De La Soul, que consegue trazer questões importantes para a sua música e retratá-las com fidelidade sem perder a sua característica alegre e dançante. E deu certo, porque a maquiagem lo-fi de Social Suicide é capaz de esconder o assunto principal do disco: a morte. Para Panda, a morte é algo natural e pode ser abordada de diversas maneiras sem parecer obscura ou pesada. Seu conceito de morte parece pouco palatável aos ouvidos ocidentais mais acostumados aos dogmas que nos cercam, mas os riffs felizes e os sintetizadores dignos de algum hit da All Girl Summer Fun Band mostram que é possível, sim, tratar da morte como se ela fosse realmente algo normal. "Summertime", por exemplo, é uma balada sobre o suicídio, e "Society Suckers" é um verdadeiro foda-se para aqueles que querem permanecer vivos.



Através do som de Panda e da conversa que tivemos com ele, conseguimos perceber que Social Suicide é um disco de transição. Um punhado de sentimentos que retrata uma etapa da vida do autor, deixando algum espaço para uma nova fase, de aceitação e de mudança. Nova fase essa que, segundo Panda, virá mais forte com próximo EP, menos solitário, cheio de participações e até com faixas cantadas em Japonês. Uma postura bem diferente da encontrada em seu primeiro lançamento, onde quase abriu mão de gravar todos os vocais do seu próprio disco por pura timidez.

Panda Valmont, com certeza, é um projeto diferente que deve ser ouvido e entendido com cuidado, para que nenhum detalhe passe despercebido, pois, por mais simples e sincera que pareça, cada uma das canções consegue carregar muito mais significados do que apenas riffs e timbres. Isso porque notas e melodias são sempre bem-vindas, mas são ainda mais admiráveis quando conseguem ir além. Social Suicide consegue ir. Além das notas e das boas melodias, as aflições e as ânsias de um talentoso músico e compositor carioca tomam o primeiro plano e apresentam um artista que encontrou, nas entrelinhas da sua música, uma maneira de canalizar os sentimentos que se passam em seu coração.

Ouça o EP na íntegra.

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