What Went Wrong? A história da banda que acabou duas vezes

San Diego, EUA
Lá em 2005, no auge dos meus 16 anos, eu não sabia muito bem ainda o que ia fazer da vida, mas eu sempre tive em mente uma meta: assistir a um show do Blink-182. Em 2003, quando eles lançaram o álbum que leva o nome da banda, eu era um dos fãs que entravam em discussões pra defender o trio, que brigava uma briga que não era minha como recompensa a uma geração de músicas que me fizeram ver que eu não era um cara sozinho, canções que construíram o meu caráter.


A minha esperança era alimentada por boatos de que a banda viria ao Brasil. Eu era um bosta, não tinha grana pra nada, jamais teria como ir até São Paulo ver eles, mas, mesmo assim, nutria esse desejo. Foi quando, em fevereiro daquele ano, veio a apunhalada pelas costas: o Blink entrava em um “hiato indefinido”. Até esse momento, pra mim, hiato eram duas vogais juntas na mesma palavra mas em sílabas separadas. Junto com esse novo significado, eu aprendi um novo sentimento. Deve ser algo que as pessoas sentiram com a morte do Kurt Cobain. Minha geração morria ali, naquele fatídico fevereiro.

Logo após, com o lançamento do Greatest Hits, foi lançada a inédita “Not Now”, uma das melhores músicas da “nova fase” do Blink. Mais algum tempo depois, Mark, Tom e Travis apareciam com suas bandas novas, +44 e AVA. Eu odiava a banda do Tom, mas só por ser do Tom. E eu aprendi a gostar do +44. Não substituí, mas criei um novo espaço para a banda. E fui superando o baque. Lembro que a “cena” do pop punk já estava despedaçada e o fim do Blink foi o sepultamento. Eu acabei me apegando a outras bandas, novos gêneros, coisas diferentes.

Em 2005, o fim do Blink era o sepultamento de uma geração despedeçada sob o rótulo midiático do pop punk.

Daí, pulando pra 2008, vem o acidente de avião do Travis. Ele gravemente ferido e o seu colega, DJ AM, morto. Foi um baque enorme. Naquele dia, se quebrou a ideia que eu tinha de que meus heróis eram imortais. A vigília para as melhoras foi enorme. Logo apareciam as primeiras imagens de Travis, ainda meio sem jeito, tocando bateria. Em 2009, no mesmo fevereiro que havia acabado com a banda, vem a notícia que ninguém esperava: o Blink estava unido de novo, e pronto para entrar em estúdio.

Eu confesso, nada que o Blink fez depois do hiato teve grande relevância pra mim. Eu gosto de tudo, mas não gosto como se fosse Blink. Gosto como se fosse uma banda legal que eu descobri e que tinha futuro. Era isso que eu esperava do Blink, um futuro. Eu mantinha a esperança de que, a qualquer hora, eles iriam fazer o melhor CD da história e iriam, novamente, ser a banda de uma geração. Mas não deu tempo. No dia 26 de janeiro de 2015, quase fevereiro, quase dez anos depois do primeiro hiato, veio a notícia de que Tom, mais uma vez, havia saído da banda. Sem eu ver um show deles. Sem um disco memorável. Sem nada. Só com um comunicado que diz:

“We were all set to play this festival and record a new album and Tom kept putting it off without reason. A week before we were scheduled to go in to the studio we got an email from his manager explaining that he didn’t want to participate in any Blink-182 projects indefinetly, but would rather work on his other non-musical endeavors.” Travis Barker and Mark Hoppus plan to honor all Blink-182 commitments including the Musink Festival and are excited to have singer/guitarist Matt Skiba join them for this project. “No hard feelings, but the show must go on for our fans.” Additionally, Skiba will continue to make new music and tour with the Alkaline Trio.”
“Nós estávamos prontos para tocar nesse festival e gravar um novo álbum e o Tom ficava adiando sem nenhum motivo. Uma semana antes de entrarmos no estúdio, nós recebemos um e-mail do seu empresário explicando que o Tom não queria mais participar em nenhum projeto do Blink-182, e sim trabalhar em seus empreendimentos não musicais”. Travis Barker e Mark Hoppuns planejam honrar todos os compromissos do Blink-182, incluindo o Festival Musink, e estão empolgados em unir-se com o cantor/guitarrista Matt Skiba para esse projeto. “Sem ressentimentos, mas o show deve continuar para os nossos fãs.” Adicionalmente, Skiba continuará fazendo novas músicas e tocando com o Alkaline Trio”.

Horas após esse comunicado, o Tom se manifestou em seu Instagram dizendo que nunca havia saído da banda. Eu dormi confuso, tentando entender o que estava acontecendo. E, ao acordar, me deparei com uma entrevista do Mark e do Travis falando sobre o ocorrido, desmentindo o desmentido de Tom e chamando ele de ingrato. Eles ainda dizem que existem trâmites legais que devem ser resolvidos caso eles queiram continuar com o nome Blink-182. Mas, convenhamos, por que manter o nome?

Agora, só resta esperar por 2018, duas bandas não tão famosas e um acidente de avião.

O que você achou disso?

Leia também:

Jim Morrison, morreu mesmo?

Histórias mal contadas, boatos estranhos surgidos com o tempo e possíveis reaparições após a morte até hoje criam muitas teorias em torno da morte do líder do The Doors. Continue lendo

Copyright © 2013 New Yeah Música, todos os direitos reservados.