Human Colonies: o lado da Itália que você ainda não conhece

Florença, Itália
Bolonha fica no norte da Itália, e é a cidade mais populosa da Emília-Romanha. Até aí, a Wikipedia é capaz de nos guiar. Centro histórico fundamental das rotas turísticas italianas - e ao mesmo tempo ponto de encontro de estudantes europeus, a cidade transformou-se em um redemoinho cultural onde o passado e o presente se encontram e dão origem à uma diversidade onde há espaço para quase todos os nichos. Nascida em Bolonha e radicada em Florença, a banda Human Colonies levou consigo os traços desta multiculturalidade, optou por caminhos pouco óbvios, cresceu musicalmente nos últimos anos e hoje é uma das bandas que tenta emplacar a estética shoegaze/dreampop na Europa Mediterrânea.
  Calvary - Human Colonies
Pra quem gosta de:Joy Division, The Cure, My Bloody Valentine e Sonic Youth.

Calvary, trabalho lançado recentemente pelo grupo italiano, é a evolução de Demo EP, publicado em 2013. Na época do primeiro lançamento, o grupo já demonstrava bastante confiança ao ensaiar alternativas contemporâneas para caminhos abertos por bandas como The Cure, Sonic Youth e Joy Division. Mais atualizado, Calvary traz canções inéditas e novas aparições das músicas contidas naquele EP que apresentou a banda ao mundo. Segundo o vocalista Giuseppe Mazzoni, as músicas que se repetem agora estão mais precisas, o que demonstra a progressão artística da banda depois de um ano e meio encarando portas abertas e fechadas.
 
Dividida em nichos, a cena musical do norte italiano não possui um mainstream tão presente, então oferece espaço aos músicos independentes e às iniciativas que ainda não possuem grandes condições de investimento capital, muito embora a sobrevivência dos grupos esteja muito ligada ao esforço que cada um faz para se manter na luta cotidiana de produzir arte em meio a tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo.

"Quando nos mudamos de Bolonha para Florença, constatamos que as cenas eram bem similares nas duas cidades. E nos dois lugares, nós éramos uma banda de nicho" - comentou Giuseppe em entrevista ao New Yeah em fevereiro deste ano. "Ainda há um longo caminho a percorrer, embora nossos trabalhos venham tendo reconhecimento online e ao vivo, de fãs do shoegaze e até de músicos mais experientes que eu admiro bastante."

O caminho é longo, mas pode ser abreviado pelo talento especial que a banda tem em misturar poesia e distorções. T. S. Eliot, importante poeta modernista, inspirou boa parte das canções que figuram no novo trabalho, o que já garante às faixas flertes com temáticas eliotianas como o medo, o misticismo e a religiosidade, esta especialmente presente em "Sunshine Jesus", canção que chama a atenção desde sua primeira edição, apresentada há quase dois anos.

Human Colonies

A Human Colonies durante a Demo EP Tour, em 2014: com uma cena dividida em nichos específicos, viver de música no norte da Itália é função para quem está mesmo disposto a encarar a estrada e trabalhar pesado.

As nuances filosóficas do grupo são embaladas por uma estética pós-punk muito consistente, com tendência ao shoegaze clássico, cada vez mais requisitado pelas novas gerações sobretudo na parte norte do globo. Giuseppe, que tinha apenas dois anos quando Loveless - obra-prima do shoegaze e do My Bloody Valentine - foi lançado, acredita que o interesse de sua geração pelo estilo é uma característica do seu tempo.

"Cada época específica tem a sua marca" - Comenta "As pessoas estão consumindo música de forma diferente e criando novas percepções a partir disso. É o resultado de um processo que começou há muito tempo com Napster, Emule... a gente tem acesso a muita coisa antiga, e muita coisa antiga continua fresca e up-to-date."

DEMO EP

Antes do vermelho gritante de Calvary, a banda foi apresentada ao público com a capa soturna de Demo EP: "A imagem representa uma árvore morta, desgastada pela passagem do tempo. Azul é a cor da melancolia. A capa quer transmitir uma sensação de abrasão, de ausência e de força." 

Mantendo uma agenda movimentada que passeia pela cena underground do seu país, o grupo dedicará os próximos meses à divulgação do seu novo trabalho. Do norte da Itália para o mundo, banda não está sozinha em sua missão de espalhar o shoegaze pela Itália, e vem recebendo ajuda de fora das fronteiras, surfando em uma onda tecnológica que permite ao grupo chegar aos ouvidos dos principais fomentadores da cena lo-fi mundial, organizados através da internet.

Se o apoio e o talento forem o bastante, em muito pouco tempo o shoegaze mediterrâneo será uma realidade muito maior do que o nicho por onde as sonoridades distorcidas da Human Colonies circulam com as boas faixas lançadas até então. Quem viver verá.

A Human Colonies é formada por Giuseppe Mazzoni - guitarra e vocal; Roman Dagner - guitarra; Davide Hare - bateria; e Sara Telesca - baixo. O disco completo da banda pode ser encontrado em sua página no Bandcamp, e as novidades do grupo podem ser conferidas diariamente em sua página no Facebook.

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