Como, onde e por quê surgiu o country rock?

CA, EUA
Na Los Angeles dos anos 60, o quente era ser hippie e curtir as viagens da efervescente cena psicodélica. Uma de suas expressões máximas era o space rock do grupo The Byrds, capitaneado pelo guitarrista Roger McGuinn. A banda se utilizava de elementos da música folk, mas quase sempre em um contexto lisérgico. Até então, a country music da costa oeste americana era dominada pela caipirice reacionária e com padrões adequados ao gosto do público matuto. Mas um músico uniu esses dois universos, concebendo a gênese do country rock como o conhecemos. Seu nome: Gram Parsons.

The Gilded Palace of Sin

Filho de uma família abastada da Flórida, Parsons chegou à Califórnia para cursar a universidade de Harvard, mas abandonou os estudos para se dedicar integralmente à sua International Submarine Band, o primeiro grupo de cabeludos a tocar no circuito de country tradicional. Esta postura inusitada atraiu a atenção do instrumentista Chris Hillman, integrante do já afamado The Byrds. Hillman convenceu o líder McGuinn a incluir Parsons na banda.

"Esse disco me tornou admirador confesso do country rock." James Lha, guitarrista do Smashing Pumpkins no disco Mellon Collie and the Infinite Sadness.

Com Parsons na formação, o grupo registrou em 1968 o álbum Sweetheart of the Rodeo, o primeiro grande marco do novo country rock. Mas, por causa de divergências internas, Parsons largou os Byrds, seguido por Hillman. Juntos, os dois "desertores" formaram os Flying Burrito Brothers, ao lado de Chris Ethridge (baixo) e "Sneeky" Pete Kleinow (pedal steel guitar). A proposta era fazer um "country cósmico", em que o estilo caipira ancestral americano se fundisse com os mais diversos gêneros musicais. Objetivo foi atingido no disco The Gilded Palace of Sin.

O disco traduzia o country rock tradicional para o idioma do rock nas parcerias de Parsons com Hillman ("Christine’s Tune", "Sin City", "Wheels") e Ethridge ("Hot Burrito #1 & #2"), além de reler, ao melhor sabor do estilo, pérolas do soul (na versão do hit de Aretha Franklin, "Do Right Woman - Do Right Man"), do rhythm’n’blues ("The Dark End of the Street", sucesso de James Carr), terminando com uma faixa gospel ("Hippie Boy").



Na época do lançamento, em 1969, o disco não passou da posição #164 na parada norte americana, mas acabou influenciando muita gente que veio depois, tanto que acabou sendo reeditado em CD diversas vezes - no entanto, sem nunca ser lançado no Brasil.

Depois desse disco, Gram parou de se dedicar ao grupo. Afinal, na época ele consumou uma aproximação com os Rolling Stones - "Wild Horses" e outros hits do grupo inglês da época tiveram uma mãozinha do guitarrista. Parsons ainda gravou mais dois álbuns solo (GP e Grevious Angel), antes de morrer de overdose em 1973, aos 26 anos. Hillman continuou com a banda, convocando outros músicos, mas nunca com a mesma inspiração. Os Burritos jamais voariam tão alto novamente.

(Texto de Celso Pucci, corrigido pela editoria de NY, mas publicado originalmente na revista Showbizz #16, em dezembro de 1998)

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