Por trás das cortinas, a Branco Blu

SP, Brasil
Na metade do ano passado, o ex-White Stripes Jack White lançou um disco bastante comentado: uma obra guitarrística que conseguiu introduzir ao mundo do mainstream um tipo de rock meio bizarro, cheio de referências do blues e cercado de exibicionismos exagerados. O sucesso foi tão grande que o músico foi escalado para liderar a noite de sábado do Lollapalooza. Lá, ele apresentou a uma platéia extremamente eclética e diversificada uma pitada de peso, melancolia e estética quase teatral - algo meio incomum para um palco acostumado com DJs internacionais e artistas saídos do topo da Billboard. No Brasil, inspirados no lado menos pop de Jack White, os paulistas da Branco Blu decidiram também montar uma grande peça teatral carregada de riffs.



Vinda da dissolução de diversas bandas da cena paulista, Est Richter, Gui Cenzi e Wand Rodrigues se uniram para fazer um tipo de som muito diferente do que estávamos acostumados a ouvir - e até bem diferente do que eles próprios costumavam tocar separadamente até então. A banda mistura elementos do hard rock dos anos 90 com referências do noise e até do indie rock, conseguindo medir a pitada de sujeira que colocam em cada refrão, sem economizar muito na distorção e nas pontes de riffs rasgados de guitarra. O vocal modulado também é outra característica marcante, que consegue diferenciar ainda mais a proposta da banda quando a colocamos ao lado de outros nomes contemporâneos.

O (bom) trabalho sonoro da Branco Blu não está sozinho: é acompanhado também por recursos teatrais e elementos cenográficos.

Outro ponto que aparece como marca principal do projeto é a sua estética muito bem construída e pensada, unindo cada detalhe a um conceito central: o bizarro, promovido não só por som, mas também por recursos teatrais e elementos cenográficos. A Branco Blu busca nessa estética diferenciada um artifício para se destacar entre as bandas que também optam pelo caminho da experimentação. A unicidade de conceitos, tantos sonoros quanto visuais, aqui são capazes de proporcionar uma experiência única ao público, que comparece aos shows para receber estímulos sensoriais das mais diversas naturezas.

A pegada noise que a banda tem, aplicada quase de forma cirúrgica em cada faixa, faz com que o fator experiência ganhe ainda mais força durante a audição de seus singles, pois o ruído criado pela distorção pesada da guitarra, pelo timbre do baixo e pelos pratos estridentes da bateria soam quase como uma cama sonora onde os vocais aparecem com vigoroso protagonismo.

A fórmula que mistura o peso do ruído ao indie e ao hard rock faz com que faixas como "Bang Bang (Big Gap Of Yours)" e "Don't Do It" soem com naturalidade mesmo aos ouvidos menos acostumados com o som alto e estridente da distorção rasgada. Isso porque o pop também está presente fazendo a ponte perfeita para introduzir o ouvinte a uma atmosfera suja, densa e profundamente teatral sem que isso venha acompanhado de qualquer espanto.



O que se consegue notar na construção de cada canção da Blanco Blu é que esse power trio ainda possui um caminho a trilhar, mas que em seus poucos singles já é possível notar uma qualidade indiscutível, capaz de confundir ouvidos e fazer pensar que algumas de suas linhas de guitarra possam ter saído de algum vinil prensado na Third Man Records. Os paulistas conseguem, além de trazer uma proposta diferente, visual e sonora, para a sua música, fortalecer uma sub-cena independente pouco reconhecida pelo grande público e que merece respeito e apoio, tanto quanto recebeu o headliner do principal festival indie do país.

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