Lê Almeida, tour nacional e premier exclusiva do novo clipe

Rio de Janeiro - RJ, Brasil
Nas últimas décadas, graças as transformações da indústria musical, as grandes gravadoras deixaram de ser a única forma de se prensar um disco. Novas formas surgiram em um tempo marcado pela força das gravadoras e selos independentes. Um dos grandes exemplos de que essa fórmula independente está dando certo é o carioca Lê Almeida. Cara da gravadora independente Transfusão Noise Records e dono do rótulo de referência em lo-fi no país, Lê é uma das principais figuras do cenário independente nacional. Agora o músico está fazendo uma tour nacional para divulgar o seu mais novo trabalho, Paraleloplasmos. O mapa da tour inclui a cidade de Sapiranga, um dos berços do New Yeah. Aproveitamos a oportunidade e trocamos uma ideia com ele sobre como vai funcionar a tour, o que há em seu último disco e como tem funcionado a sua relação com os selos e gravadoras do Brasil e do exterior.

Foto por Janine Magalhães

Para os desavisados, Lê Almeida é um produtor, compositor, músico, organizador de eventos, artista plástico, movimentador ativo da cena independente nacional e o idealizador da gravadora independente Transfusão Noise Records. Sua gravadora é responsável por lançar discos e produzir bandas há mais de 10 anos. Graças a sonoridade muito própria que os lançamentos do selo possuem, a Transfusão virou uma das principais referências do lo-fi brasileiro ou, como o próprio Lê costuma chamar, "rock de guitarra". O gênero ganhou um quartel general, o Escritório, espaço que virou modelo de organização para muitos outros empreendedores que buscam fomentar a cena independente da sua região. O Escritório, além de gravar discos e disponibilizar horas de ensaios, serve como palco para festivais e exposições, tornando-se um importante centro da cultura underground carioca.

Com todos esses anos de experiência, Lê está de malas prontas para aportar no Rio Grande do Sul.




NY: Paraleloplasmos, seu novo disco, é mais pesado e introspectivo do que os trabalhos anteriores. Como tem sido essa transição? 

LÊ: Eu acho que são reações naturais vindo da minha vivência no mundo e com pessoas. Passei a enxergar algumas coisas de modo diferente. Uma amiga disse que os meus chácaras se abriram, talvez tenha sido isso e esse disco tenha sido uma transição natural ou talvez esse disco tenha sido uma coisa única e no próximo eu volte a fazer o de sempre. De qualquer forma eu também acredito em mudanças de rotas ao longo da estrada. Acredito em bandas que mudam um pouco em algumas coisas e continuam no mesmo sentimento de sempre.

NY: Como vem sendo o processo de divulgação do Paraleloplasmos?

LÊ: A gente soltou o clipe de “Indiscutível” há algum tempo e já temos mais dois no gatilho, roteiro pronto pra mais um que deve virar um curta e um outro roteiro em andamento para uma faixa que ficou de fora do disco, mas deve sair num 7’’ (vinil 7 polegadas) junto de outra faixa que ficou de fora também. Marcamos a primeira parte de uma tour que conta com 15 show em 12 cidades diferentes. A segunda parte dessa tour nós estamos começando a marcar agora nas próximas semanas.
Em breve o formato em LP vai chegar ao Brasil, daí vamos fazer um show gratuito no Escritório para o lançamento oficial desse formato

Confira o clipe de "Bad Vibes" com exclusividade no New Yeah:



NY: E qual foi a principal diferença na gravação/produção do disco novo para os anteriores? Tu te equipou mais? Aprendeu maneiras novas de gravar? Experimentou algo novo?

LÊ: A principal mudança de todas foi o fato desse ter sido o primeiro disco que eu gravei fora da minha casa totalmente. O Escritório passou a ser um estúdio realmente, mas extremamente aconchegante, como um quarto pra mim. Porém, por ser todo destinado a experiências musicais, acho que deixou o som do disco bem mais pesado que os anteriores. Eu também passei a viajar mais nas instrumentais. comecei a contemplar a guitarra de um modo como eu nunca havia feito.

"Passei a enxergar algumas coisas de modo diferente. Uma amiga disse que os meus chácaras se abriram. Talvez tenha sido isso e esse disco mais pesado tenha sido uma transição natural."

NY: Como foi o contato com selos, gravadoras e distribuidoras pra lançar o disco? É muito difícil conseguir parcerias no exterior sendo um artista que canta em português?

LÊ: Na Deckdisc sempre ouve um diálogo, mas nada concreto. Essa foi a nossa primeira parceria. Na gringa, eu sempre tive contato com o pessoal da Lost Sound Tapes e da Jigzaw, além de outras que já fizeram coisas em conjunto, como Rok Lok Records e WeePOP. Acho que por lá é uma coisa bem mais acessível do que aqui no Brasil, onde a galera está cada vez mais quadradona. Com a IFB Records foi um contato sagaz também. Eles já lançaram em LP o Death Friends, disco da Tape Rec, minha outra banda, e esse selo é bem mais hardcore e metal, mas a galera curte o som de verdade, saca as guitarras.

NY: Falando da tua tour sul/nordeste... tu consegue indicar pra gente algumas bandas que tu curta e que são desses dois eixos?

LÊ: A maioria das bandas que saco daí é de amigos, como Carne de Monstro, Badhoneys, Space Rave, Medialunas, Street Cats, Catavento, Loomer... no nordeste, sou muito fã do Baztian e do Super Amarelo. Também curto bastante os lançamentos da Transtorninho Records.


NY: Como tá sendo a organização dos shows pra essa tour?A banda vem completa?

LÊ: A gente tem um set meio que pronto, mas sempre rola de mudar umas faixas. Porém o foco é o disco novo. A maioria das faixas que a gente toca é dele. Às vezes tem rolado até uma nova que já é do próximo disco, além de umas fritações extras. A banda é a galera toda: Bigú, João e Joab!

NY: Como teu show foi parar em Sapiranga?

LÊ: Eu nem conheço a cidade de fato. Só venho trocando uma ideia com o Moises, que tá de frente aí organizando esse concerto. Também já falei algumas vezes com outras pessoas daí. Acho que o mais próximo que cheguei da cidade foi quando toquei em Campo Bom e em São Leopoldo (onde acabou nem rolando o show). Fico feliz demais de ver gente espalhada pelo Brasil curtindo o som. Gosto de viajar por essas cidades, tocar e fazer novos amigos. É mágico demais!

NY: Já tem previsão de locais e datas para a segunda parte dos shows do ParaleloplasmosVai rolar merch da Transfusão nos shows da tour?

LÊ: Estamos começando a marcar agora, mas já é certo rolar Santo André, Belo Horizonte, Sorocaba e mais algumas cidades do interior de São Paulo. Sobre o merch, sim. A gente não faz um show sequer sem a nossa banquinha de discos, camisas e zines. Acho que no meio da tour o formato em vinil deve chegar, mas já temos dois formatos diferentes de CD e o cassete também, além da camisa “FUCK The New School” e uma nova “Paraleloplasmos Tour”. A gente também tá organizando um zine com cartazes dos shows da tour, resenhas dos discos, mais umas fotos de shows e coisas a mais. Deve sair depois desses shows todos.

Se você não é de Sapiranga e quer assistir um show do Lê na sua cidade, confira o evento da tour com as datas de todas as cidades no Facebook. Ele acontecerá no dia 5 de junho a partir das 21 horas no Fat Audio - MCR Records, com as bandas convidadas Tionecca, Lotuschama, Mudo Falanta, Belas Noivas e Tomate Seco.


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