Muita banda acaba por causa de produtor, promotor e dono de selo filho da puta

São Paulo, Brasil
Por Henrike, líder do Blind Pigs - Porcos cegos, em entrevista ao canal Meninos da Podreira, publicada em 25/06/2015.

"Em 2008, os Blind Pigs estavam há dois anos sem gravar nada. Na época, tínhamos adotado o nome de Porcos Cegos. Só que a gente tinha adotado o nome em português e muito fã nem sabia disso, então a banda passava por um limbo esquisito. No final daquele ano, fomos dar um show em Americana, interior de São Paulo. Já no local, encontramos muitos fãs que tinham vindo de bem longe, trocamos uma ideia com a molecada, assistimos às bandas de abertura e só então veio o promotor do show falar com a gente.

Henrike, do Blind Pigs: muita banda acaba por causa de produtor, promotor e dono de selo filho da puta

O show era numa construção. Não havia palco. Eu já havia tocado em lugar muito tosco, e até pra mim aquilo era tosco demais. Ser punk tem limite. O produtor chegou na gente e falou que não tinha dinheiro pra nos pagar. Falou que, apesar de haver muita gente no show, as contas não haviam fechado e o caixa estava vazio. O cara ainda falou que nós tínhamos duas opções: ou tocávamos sem ganhar nada, ou íamos embora. Se a gente quisesse ir embora, ele entenderia numa boa.

Eu já havia tocado em lugar muito tosco, e até pra mim aquilo era tosco demais. Ser punk tem limite.

Pedimos dez minutos e chamamos uma reunião rápida da banda. Concluímos que tinha muito fã ali e que, se a gente fosse embora, acabaríamos sendo os cuzões da vez. O cuzão nunca é produtor. Estávamos meio bêbados e cometemos o erro de aceitar tocar, desde que a gente tivesse cerveja à vontade. O produtor topou.

Começamos o show. A iluminação era péssima. A cobertura era uma lona, e o bar ficava na frente do 'palco', a uns dez metros. Quando a cerveja que a gente tinha no palco estava quase acabando, eu pedi, no microfone, que o pessoal do bar trouxesse mais. De lá do bar, o cara que cuidava do balcão fez um sinal com o polegar pra baixo, avisando que a cerveja havia acabado. Eu ainda tinha um pouco de cerveja em um copo plástico. Joguei no cara e pedi que ele enfiasse no cu.

Continuamos o show. Terminamos os trabalhos e logo pulamos fora. Indignado, aquele mesmo produtor veio atrás de mim no backstage. Se dirigiu ao Gordo (guitarrista da banda), que foi quem ele encontrou por lá, e avisou:

'- O pagamento de vocês tá aqui. Se quiserem reclamar, tem mais', e largou, na mão do Gordo, uma bala de revólver.

Já na volta, quando o Gordo contou a história e mostrou a bala, eu nem falei nada. Só pensei que, pra mim, acabava ali. Não queria mais tocar.

Então o negócio é esse. Muita gente não sabe, mas muita banda acaba por causa de produtor, promotor e dono de selo filho da puta. Bandas acabam porque a gente fica cansado de engolir merda."

Confira a entrevista completa abaixo.

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