Supervão: nem analógico, nem digital: apenas pós humano

Porto Alegre, Brasil
Em 1994, o filósofo e futurista Max More abordou amplamente em sua obra “On Becoming Posthuman” os conceitos do que seria um “pós-humanismo”. Ele comentava que a mescla entre os seres humanos e a tecnologia poderia ser um passo para além da própria humanidade. Duas décadas mais tarde, analisando o contexto atual e se espelhando nesses conceitos, podemos reconhecer que as redes sociais, a comunicação digital e as interações artificiais/humanas são capazes de nos transportar para um futuro bem próximo do comentado por More. O telefone celular operando como membro humano, por exemplo, já é um sinal da pós-humanidade. Apoiada nessa análise, a banda gaúcha Supervão referencia diversos conceitos comunicacionais e futuristas em seu novo single, “Vitória Pós-Humana”.

Foto por Lucas Carneiro Neves

Não existe uma linha clara que separa o que é produzido no software e o que é resultado da intervenção humana.

No single lançado na semana passada, a Supervão mergulhou ainda mais fundo em sua mescla de estilos e trouxe um som que propõe a junção entre o homem e máquina, entre o digital e o analógico. “Uma brincadeira com as fronteiras dos dois, onde, ao invés deles se confrontarem, eles se misturam”, como explicou o guitarrista Leonardo Serafini.

Em “Vitória Pós-humana”, o trio (que na foto acima é uma dupla, desfalcada pelo baixista Ricardo Giacomoni) consegue derrubar qualquer barreira que limita o seu som a rótulos, chegando a um hibridismo incomum. Para Mario Arruda, o vocalista e responsável pelas programações eletrônicas do disco, isso vai além - "O que aconteceu foi aproximar todos tipos de referências, sonoridades e ideias que têm nos tocado pela vida. É uma espécie de 'caosmose'. Nada é puro. Tudo é resultado de ligações".

Seguindo a mesma linha de desconstrução apresentada no som da nova faixa, a designer porto-alegrense Ana Paula Peroni, responsável pelo projeto gráfico do single e do novo EP, comentou que essa quebra de barreiras também acontece nas artes do disco. “Busquei elementos, emoções e símbolos reais/digitais para unir tudo e criar uma outra dimensão”.





Utilizando as ferramentas digitais e brincando com as limitações de produção que os equipamentos eletrônicos e principalmente a máquina humana possuem, a Supervão dá vida à uma nova fase onde o lo-fi se apresenta como meio e não como gênero. Um trabalho capaz de agradar aos ouvidos dos amantes das experimentações eletrônicas de Thom Yorke até os farejadores de artistas alternativos fãs do Homeshake. É um som totalmente sintetizado que, mesmo contando com intervenções de guitarra, ainda apresenta o beat como elemento central.

"Vitória Pós-Humana" é o primeiro single do novo EP Lua Degradê da Supervão, que será lançado no dia 12 de fevereiro através da colaboração dos selos gaúchos Lezma Records e Honey Bomb Records.


Mixagem: Lezma Records / Casinha - Masterização: Casinha / Bernard Simon Barbosa - Fotografia: Lucas Neves  - Arte Gráfica: Ana Paula Peroni - Pós-produção de baixos + novo integrante: Ricardo Giacomoni.

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