A hipersensibilidade de Puerto Madero

São Bernardo do Campo
A criatividade tem salvado o mundo. Criamos para sobreviver, para amar e para sermos pessoas melhores. Todos somos criativos de alguma forma, capazes de criar e alcançar pessoas a partir da nossa criação. Muitos, porém, rodeados pela tecnologia e por relações cada vez mais distantes, estão perdendo uma boa parte de sua sensibilidade. As pessoas andam impermeáveis. Nada lhes penetra um centímetro sequer. Aquele "sentir intensamente" está ameaçado de extinção. A banda paulista Puerto Madero traz exatamente este lembrete em seu segundo álbum, Hipersensibilidade.



Todos nós sabemos utilizar vários tipos de tecnologia, mas nem todos sabemos olhar nos olhos uns dos outros para entender o que a pessoa ao lado está sentindo. Com o intuito de lembrar-nos da falta de sensibilidade dos dias atuais, o disco começa falando sobre um assunto comum entre os jovens: o coração cansado. O quarteto de São Bernardo carrega um som misturado. Suas influências vão de Red Hot Chili Peppers a Los Hermanos, criando raízes no rock, porém com uma pitada de ska. O álbum continua com “De Quem Andar”, que conta como o tempo é relativo para cada um de nós.



“Sob Controle” nos traz um pouco de Titãs, forte influência da banda. Com o foco na situação sócio-política de nosso país, a banda canta “… pergunto o que é normal, pois o que julgo vital tá um descontrole” mostrando a bagunça em que tudo se encontra aos olhos do autor. “Teu” volta ao tema romântico mostrando a importância do amor em nosso cotidiano.



Seguindo com “Incerteza e a Flor”, a Puerto Madero nos mostra como é importante viver apesar das incertezas da vida. É melhor sentir as incertezas do que viver sabendo da certeira falta de emoções que nos espera. “A Luz Que Entrou No Mar” nos inspira a ser quem somos de fato. Sua letra diz que, não importando o que aconteça, temos que nos manter fiéis à nossa essência.

“A todos que amam. A todos que vivem pra crer. A todos que questionam. A toda percepção ampliada.”

O quarteto nunca deixa de lado a sua crença de que todos precisam de mais sensibilidade no dia-a-dia e “Viver pra Crer” dá continuidade a isso. “Escolhas” fala sobre um mundo novo e nos convida a criar, a viver e a escolher o que é melhor pra cada um de nós.

Em seu segundo álbum, a banda Puerto Madero espera levantar assuntos que há muito tempo estão parados em rodas de amigos. “Queremos abrir os olhos das pessoas sobre a falta de sensibilidade que tem nos rodeado e acredito passar essa mensagem no álbum. Não estamos falando só de relacionamento amoroso, mas também cantamos nossas preocupações com o cenário político atual do país, pois queremos que nossos fãs, que são jovens, também se posicionem sobre o que tem ocorrido no Brasil”, diz o vocalista/baixista da banda André.

“Saudades se Mata” e “Ainda Sou” finalizam o álbum com guitarras mais aparentes e reforçam a necessidade de ampliar a percepção humana vivendo e sentindo cada vez mais.



As letras possuem um ar jovial e bem humorado, mesmo quando falam de assuntos mais sérios, o que nos faz cantar junto logo de primeira. “Cada faixa é um convite", explica o guitarrista Barnez. "Você precisa aceitar, fechar os olhos e viajar em uma montanha russa de palavras”.

O novo álbum da Puerto Madero está disponível no perfil da banda no Spotify.

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