Supervão explica sua Lua Degradê

Porto Alegre
Imersos em conceitos, teorias, timbres e estéticas de, como eles mesmos definem, uma grande caosmose, a Supervão lançou no último dia 26 o EP Lua Degradê. Uma viagem entre diversas referências e gêneros construídos através de combinações e experimentações profundas, tanto na estética totalmente fluída como na sonoridade até então distante de qualquer rótulo encontrado em alguma sessão do seu serviço de streaming favorito.



Investindo ainda mais no lado conceitual da banda, o novo álbum do projeto traz faixas carregadas de teorias comunicacionais mescladas a vivências e sentimentos que dão vida a um complexo contexto que merece uma análise detalhada. Para entender o novo lançamento dos selos gaúchos Lezma Records e Honey Bomb Records, convidamos algumas das cabeças pensantes envolvidas no trabalho: os músicos Mario Arruda e Leonardo Serafini (que assinam as canções do EP) e a artista plástica Ana Paula Peroni (responsável pela parte gráfica do lançamento) para comentarem a arte que ali está.

Antes de ler sobre cada uma das faixas, para que a experiência fique ainda mais completa, dê o play no disco:


1. Vitória Pós Humana

Mario Arruda: ela é basicamente sobre paradoxos, como a sonoridade orgânica e a digital, mas eu gostaria mais de falar sobre a contradição conceitual dela. Primeiro, ela começa de um jeito meio melancólico e nostálgico em relação a uma essência humana que prevê que cada um de nós é apenas um e imutável. Mas ela caminha para uma vibe super positiva em relação a isso, canta VITÓRIA em relação a identidade fluída. Outra zona de intensidade é o próprio nome. No jogo pós-humanista não há derrotados, porque cada construção se refere a uma desconstrução. A vitória se refere a isso.


Leonardo Serafini: "Vitória..." começou sendo uma música instrumental e de fritação. Depois, cada um foi pra casa, acabou criando suas composições e montamos ela por skype.

2. Lua em Gêmeos

Mario Arruda: esse som é sobre coragem. Sobre saber o que se quer tocar com o intuito de aproximar, juntar pessoas e formar energias. E isso é também sobre não se importar com origem ou destino, se é sonho ou realidade. Apenas sentir, apenas viver... e dançar frenéticx estando em câmera lenta.


Leonardo Serafini: Tipo shoegaze com funk.

3. Cadilac Olodum

Mario Arruda: "Cadilac Olodum" é sobre amor de praia. Sobre as pessoas que a gente conhece na praia, passa um veraneio inteiro e depois carrega consigo pra sempre. É sobre a união e a energia que vem do amor e vão pro físico. Que a união seja sentimental, mas também algo que se possa sentir com o corpo.

4. O imperdível momento da semana

Mario Arruda: introspecção. Medo de sair de casa. Drama do fim do fluxo transformacional. É um som pós-períodos de libertações sociais. Provavelmente ela é uma ressaca de 2013, aquele ano em que a arte conseguiu estetizar muito de nossas vivências. Vivi em Porto Alegre no período, assim como na ressaca em 2014. Foi um bom momento, mas ainda não me recuperei. 


Leonardo Serafini: o Mario tende a achar essa musica problemática. Eu acho uma balada que vem do interior, mas que no final deixa um sentimento de tranquilidade ou desabafo.

5. Degradê

Mario Arruda: essa é a volta pra festa ainda de ressaca. Nunca mais amor de mágoa. Não se pode querer se transformar, apenas se transforma. E amor é sobre isso: se transformar, sentir-se em eterna desterritorialização. Então, quando você começa a sentir marcas pelo corpo todo, enxerga elas e não tem como tirar. A coisa fica um pouco ansiosa e barulhenta. Inapropriada.


Leonardo Serafini: última música de show sem bis.

A arte da capa

Seguindo a mesma onda estética e conceitual, a artista gráfica Ana Paula Peroni também colocou o seu toque no produto final que o duo construiu, transformando as ondas sonoras e as composições em uma tela gráfica que une diferentes camadas e dimensões, dando vida à junção artística que é a Supervão.


Ana Paula Peroni: meu processo foi mais em cima da música "Degradê", de misturar elementos 3D com planos bidimensionais. Trabalhei também com o reflexo da lua, como reflexo de cada etapa do trabalho, e a malha foi usada para representar a propagação do tempo e das ondas sonoras.



Com Lua Degradê lançado, a Supervão foge do conceito ortodoxo de banda, mostrando-se mais como um coletivo formado por diversos atores com diferentes talentos e particularidades. Vem também se configurando como um conglomerado de atores que cria conceitos e explora novos métodos de criação, tudo isso de uma forma muito própria, uma forma Supervão de ver as coisas: profunda no criar e no sentir.

Supervão em Lua Degradê é Mario Arruda (voz, programações e synth), Leonardo Serafini (guitarra), José Fonseca, Ricardo Giacomoni (baixo), Bernard Simon Barbosa (mixagem e masterização), Ana Paula Peroni (arte gráfica), Lucas Neves (fotos) e Casinha (gravação). 

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