Você só alcançará a maturidade musical aos 35 anos, diz estudo

Porto Alegre, Brasil
O choque cultural dentro de uma família envolve uma série de hábitos. Velhos e jovens não dormem no mesmo horário, não se alimentam ao mesmo tempo e praticamente não falam a mesma língua. Mesmo assim, talvez nenhum choque seja tão gerador de conflitos e tão perceptível no dia-a-dia quanto a diferença de gosto musical entre diferentes faixas etárias que habitam o mesmo lar. Se você ainda tem esse ponto como motivo de debates e intrigas com os seus pais, tios e avós, você certamente tem menos de 35 anos. Uma pesquisa realizada pelo Spotify mostra que, ao alcançar esta idade, você, assim como os seus pais, automaticamente deixará de se interessar pelas músicas do momento e também pedirá para os jovens baixarem o volume.



Segundo aponta Ajay Kalia, coordenador do estudo, o interesse pela música em voga, aquela que está mais em evidência, é um hábito desenvolvido por adolescentes que se mantém de alguma forma até os 25 anos de idade. Está é a fase (12-25) em que, atraído pelos hits, o ouvinte jovem está mais distante do gosto de seus pais. A partir disso, a paciência para hits vai diminuindo. Dos 26 em diante, o ouvinte passa por uma fase onde o interesse pelas paradas de sucesso vai diminuindo gradativamente. Esse comportamento que prima pela fuga dos hits chega ao seu ponto máximo aos 35 anos.

Kalia explica, segundo dados levantados junto ao serviço de streaming, que aos 35 anos quase todo ouvinte já experimentou todos os sons que julgaria poder experimentar, então já sabe exatamente do que gosta e passa a praticamente ignorar as tendências. A maturidade torna o amante de música mais seletivo. Passamos a ouvir a nossa música e não mais a música do momento.

O mais curioso é que, aos 42, o gosto pelo popular, ainda que timidamente, retorna. Com medo de ficar gagá, o ouvinte tende a absorver melhor a atualidade pop e abrir mão de boa parte de seu senso crítico para a música, tornando-se mais tolerante e agregador. É a crise da meia idade que toma conta das playlists e o pop deixa de parecer assim tão ruim.



Roberto Carlos e Anitta cantam o "Show das Poderosas" no especial de final de ano do Rei em 2013. Ao que tudo indica, Robertão já passou dos 42.

Mas então, se o sujeito com mais de 42 anos passa a ser tolerante, por que o seu pai ainda implica com os seus sons? O levantamento mostrou que os adultos que vivem a experiência da paternidade/maternidade tendem a ser muito mais drásticos ao evitar músicas muito populares, porque a rotina sem tempo para as atualidades e o confronto com o gosto dos filhos faz com que a música contemporânea popular lhes soe altamente ofensiva.

O estudo ainda aponta que o gráfico de desinteresse pelo pop é mais acentuado em homens, sendo que as mulheres raramente abandonam totalmente os hits, o que provavelmente esteja ligado à cobrança social que as mulheres têm de manterem a sua aparência sempre ligada à juventude.

Então, antes do próximo desentendimento por conta do volume e das estéticas, lembre-se que o seu pai/o seu filho escolheu ouvir aquilo, mas que ele só ouve tal música porque uma série de aspectos sociais o leva a ouvir. Ninguém aperta o play sozinho.

Fonte: Music Taste Matures by Age 35 (And It’s Different for Parents)

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