Avisem ao Dinho: foi o Sonic Youth quem uniu todas as tribos

Porto Alegre, Porto Alegre - RS, Brazil
Por Alexandre Matias.

Felizmente, os anos 90 serviram para rachar os muros preconceituosos que a década de 80 carinhosamente ergueu. E tudo começou ainda no final da década "mal intencionada". Entre julho e agosto de 1988, uma banda nova-iorquina iniciou um terremoto capaz de chacoalhar os alicerces da música pop, convergindo rap, pop inglês e rock underground americano em um mesmo objetivo. Depois que o Sonic Youth derrubou todas as barreiras entre as diversas vertentes do rock, usando a microfonia como aríete, ele nunca mais foi o mesmo. E isso ocorreu em Daydream Nation.




Antes de 1988, o Sonic Youth era "apenas" um dos principais representantes da cena pós-punk nova-iorquina, uma geração com mais de um rótulo - pigfuck, noise, no wave - que primava pelo barulho fora de controle como principal método de criação. Ao lado de Big Black, Minutemen, Pussy Galore e Butthole Surfers, o Sonic Youth tinha uma grande reputação entre os seguidores daquela turma. Mas foi a partir da entrada do baterista Steve Shelley, que completou para sempre o quarteto formado ao lado do casal Thurston Moore/Kim Gordon e do guitarrista Lee Ranaldo, que o grupo começou a desequilibrar algumas estruturas até então inabaláveis. Discos como EVOL (1986) e Sister (1987) anteciparam um grande abalo sísmico que seria capaz de destruir todas as noções dos limites da guitarra - logo da guitarra, aquele imenso tabu no meio do rock.

Foi o Sonic Youth quem uniu todas as tribos

Com o duplo Daydream Nation, o quarteto nova-iorquino atingiu a todos como uma bomba atômica subterrânea sob os pilares do que conhecíamos por rock. Os três vocalistas cuspiam letras como palavras de ordem, misturando literatura marginal e rock'n'roll primitivo, preocupados mais em atingir seu alvo do que em minimizar a sujeira que o tiro poderia causar. E o centro do álbum eram mesmo as guitarras: um enxame de microfonia que conseguia soar caótico, melódico, bucólico, aterrador e brutal - muitas vezes tudo isso em poucos minutos dentro da mesma faixa, como na introdução de "Cross the Breeze" e no meio de "The Wonder".

Propulsionado por um dos mais subestimados bateristas do pós-punk, o trio central do grupo (que se identificava com símbolos no rótulo do disco, à Led Zeppelin) atravessava terrenos distintos e escorregadios, como o hardcore, a vanguarda, o heavy metal (!), o folk, o pós-punk inglês, o progressivo e a psicodelia, com seus instrumentos citando referências sonoras como se contassem a sua versão da história do rock, abrangendo todos os gêneros como frutos do mesmo som. Um ruído incômodo, que incomodou muita gente já na época e que ainda hoje incomoda ao mesmo tempo em que provoca. E não seria a provocação, justamente, o suprassumo do rock?

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