Moldragon: sucesso na arriscada missão de atualizar o lo-fi dos anos 90

Porto Alegre - RS, Brasil
As guitarras barulhentas estão atadas às memórias que ligamos aos anos 90. Bandas como Sonic Youth, Guided By Voices e Pavement ajudaram a colocar ainda o lo-fi e os jeans surrados nesse caldeirão de referências à uma década que se recusa a passar. Até por estar sempre presente, continua gerando frutos mergulhados em overdrive de tempos em tempos, cada qual com a sua característica, mas todos irmãos de alguma forma. Os gaúchos da Moldragon são os membros mais recentes desta família desde o lançamento do EP Natural Drive (Lezma Records, 2016).



Natural Drive é um trabalho curto, com pouco mais de 13 minutos, mas é extenso o suficiente para transportar qualquer jovem de 20 e poucos anos direto para uma live do Dinosaur Jr em algum micro festival americano de rock triste.

A Moldragon se mantém fiel aos já sólidos anos 90, mas a grande virtude do EP recém-lançado está nos riscos que a banda aceita correr.

O riff de “Birthday Mode” é o abre alas do EP e gera amor à primeira audição. Na segunda audição, não se espante se você já estiver colando o link da música no chat com algum amigo seu. A canção consegue manter uma instrumental fiel ao lo-fi noventista, com instrumentos levemente reverberados por conta das gravações caseiras e uma guitarra constante ao fundo, que se mantém durante todo o andamento da canção, trazendo um clima que faz com que até os fãs mais ortodoxos da cena calça-rasgada de Seattle se sintam em casa.

Seguindo, “Stayin' Here” traz os vocais mais em evidência, unindo-os ao som de três violões tocados com pedal de distorção - uma maneira única que a banda encontrou de trazer um novo aspecto para esse tipo de som, até porque nem só de saudosismo vivem os fãs da baixa fidelidade.

"No More Fun", a terceira faixa, é mais melancólica e cadenciada em relação às demais, com um vocal carregado de efeitos e uma base de bateria contínua, que serve de plano de fundo para mais um riff de guitarra marcante e levemente distorcido.



Os moços da Moldragon: sucesso na tentativa arriscada de atualizar o lo-fi herdado dos anos 90.
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O EP é encerrado por “David / Snow” e sua levada mais calma, com bases que evidenciam bem o violão emulado pelos efeitos do pedal.

Em suas quatro faixas, o EP consegue conciliar bem a memória e a vontade de inovar dentro de um gênero que muitas vezes foi desgastado pela repetição. Além disso, o formato aberto do som do grupo ainda reserva espaço para individualidades que não se perdem no turbilhão de cada música. As levadas fortes e marcadas da bateria de Mádger Moreira, que também toca na banda capilé Siléste, aparecem no EP lembrando a aproximação da sua banda de origem com o pós-punk. E esse é apenas um dos fatores que tornam o lo-fi da Moldragon muito próprio. Uma interpretação extremamente atual das garagens dos anos 90, capaz de saudar grandes clássicos sem soar meramente idólatra; capaz de trazer à tona memórias profundas que nem por isso precisam cheirar à naftalina ou a teen spirit.

Acompanhe os próximos passos do grupo por aqui.

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