Raça e Ombu: uma forma madura de falar sobre si

Porto Alegre, Brasil
Os anos 2000 são até hoje cultuados por diversos jovens adultos que tiverem a sua adolescência regida por clássicos do pop-punk, hardcore e do saudoso emo (lembra dele?). Alguns dos fãs dessas vertentes todas cresceram, migraram para playlists mais tranquilas e atualmente você corre o risco de encontrar alguns deles na sessão de folk da prateleira de DVDs das Lojas Americanas. Porém, outros continuam até hoje com o seu interior hiper-fragilizado e intenso por culpa dos hits de suas bandas emo favoritas na década passada. Esse segundo grupo vem se manifestando através de outras formas de fazer emo, misturando o post-rock, o noise e o slowcore, dando vida a projetos que carregam esse legado vindo de 2000 muito mais pela intensidade do falar do que pelo estilo de vestir e de tocar. Dois grandes exemplos dessa geração de bandas que decidiram revisitar e recriar certos aspectos do estilo são as paulistas Raça e Ombu. Duas bandas que através dos seus últimos discos conseguiram criar uma forma única, crua, verdadeira e delicada de falar sobre sentimentos.


Dona de um dos grandes lançamentos de 2016, a Raça vem desde o seu primeiro trabalho, Ninho (2013) trazendo suas dores e sentimentos em primeiro lugar em cada produção. O que o quarteto formado por Popoto, Tamashiro, Novato e Thiago faz é passear por diferentes estilos, gêneros e possibilidades para que a sua mensagem possa ser transmitida em paisagens onde os instrumentais funcionam como uma segunda voz para aquilo que é dito. Muitas vezes seus sons falam sobre experiências próprias de cada um, sentimento compartilhados entre o ouvinte e a banda, histórias e realidades que todos acabam passando algum dia. São retratos bem próprios e próximos de fatos que ganham intensidade através da força de cada base de guitarra, baixo e bateria que os quatro compõem. 


Esse jeito cru de fazer música se assemelha muito às distorções e frases gritadas que o emo trouxe nos anos 2000, só que com a maturidade de um adulto cansado de gritar e espernear, e que até por isso descobriu que às vezes a única alternativa para ser ouvido é usar a delicadeza a seu favor. Através disso, o Raça consegue se desprender de qualquer rótulo superficial, ficando livre para escolher por onde ir, qual som fazer e como falar, sempre moldando as suas produções da forma que melhor lhes convêm.

Destaque para “É pra copiar”, “Moxei’, “Trama” e “Simpatizo’, mas com certeza em poucas audições essa lista já pode ser engordada.

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Compartilhando algumas referências (e também integrantes) com a Raça, a Ombu é a irmã mais nova da dupla. Não se engane pelo tamanho da discografia, porque Mulher, o disco full do trio, consegue te derrubar de vez logo na primeira audição. O registro de seis faixas segue a linha visceral que seus compatriotas da Raça também têm como norte, porém, a Ombu é um pouco mais pesada e potente, mais carregada de distorção. Nas letras, se consegue perceber um pouco mais de auto retratos de histórias passadas e experiências que qualquer ouvinte consegue identificar em poucos segundos de fala.


Formada por João no baixo e voz, Santiago na guitarra e voz e Thiago (o mesmo da Raça) na bateria, a Ombu tem um single, um EP com duas faixas e um disco cheio lançado no ano passado. Todos os trabalhos apresentam essa sonoridade intensa e pesada que consegue servir perfeitamente de plano de fundo para as letras encontradas em cada registro.

Ao ouvir, comece por “Não Faz”, recomece com “Surdina” e siga o disco completo até o final. Ao final, volte ao EP da banda, que vai ajudar a completar a experiência.

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O que Raça e Ombu tem em comum além de um baterista e algumas letras falando sobre sentimentos? Eles conseguem levar aquela forma melancólica e pesada de falar sobre tudo isso a outro nível, a um patamar desrotulado, com planos de fundo mais sofisticados e mensagens que não necessariamente são aquelas de sempre.

Nos dias 18 e 19 de junho as duas bandas desembarcam no sul para dois shows. No sábado, em Porto Alegre, ao lado da banda Não ao Futebol Moderno (mais informações sobre o evento clicando aqui). No domingo, as duas estarão em Caxias do Sul, com a Borduna (mais infos aqui). 

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